Peter Revson carregava um sobrenome de milhões – Revlon – mas fez questão de conquistar cada centímetro de pista por conta própria. Nascido em Nova York em 1939, o americano demorou a chegar à Fórmula 1, estreando em 1964, mas foi na década de 1970 que encontrou seu auge. Com duas vitórias e oito pódios em 30 largadas, pilotou para Lotus, Tyrrell, McLaren e Shadow. Antes de brilhar na F1, faturou o campeonato CanAm de 1971 pela McLaren, provando que seu talento não dependia do nome da família. Sua trajetória foi interrompida de forma trágica em Kyalami, em 1974, durante um teste para o GP da África do Sul.

Revson
Peter Revson
Peter Revson carregava um sobrenome de milhões – Revlon – mas fez questão de conquistar cada centímetro de pista por conta própria. Nascido em Nova York em 1939, o americano demorou a chegar à Fórmula 1, estreando em 1964, mas foi na década de 1970 que encontrou seu auge. Com dua
Laurie Button · CC BY-SA 3.0
Nascimento
27 de fevereiro de 1939
New York City, United States
Falecimento
22 de março de 1974
Kyalami, South Africa
Status atual
Falecido
Biografia
A história
Origens
Peter Revson nasceu em 27 de fevereiro de 1939, em Nova York, em uma família de linhagem incomum no automobilismo. Seu pai, Martin Revson, e sua mãe, Julie Phelps, faziam parte da dinastia por trás da gigante de cosméticos Revlon – uma fortuna que lhe renderia o apelido de “playboy milionário” nos primeiros anos de carreira, mas que jamais definiu sua determinação nas pistas. Criado na elite nova-iorquina, Revson teve contato tardio com o automobilismo competitivo; sua estreia profissional ocorreu apenas em 1964, aos 25 anos, idade em que muitos pilotos já acumulavam temporadas na Europa. Antes disso, porém, um drama familiar silencioso já prenunciava a tragédia que marcaria sua trajetória: seu irmão mais novo, Douglas, morrera em um acidente de corrida na Dinamarca em 1967. A perda, longe de afastá-lo do esporte, pareceu cimentar em Peter a convicção de que pilotar era mais do que um hobby de herdeiro.
O caminho até a F1
Nova York, 1939. Peter Revson cresceu cercado pela fortuna dos cosméticos Revlon, mas seu caminho até a Fórmula 1 foi longo e construído por mérito próprio. Antes de chegar ao grid, ele passou por um aprendizado rigoroso nas categorias de base norte-americanas e europeias. Iniciou no automobilismo em 1960, pilotando um Jaguar XK140 em corridas de clube, e rapidamente migrou para a Fórmula Junior, onde competiu entre 1963 e 1964. A experiência o levou à Fórmula 3 europeia, onde chamou a atenção ao vencer corridas e demonstrar consistência.
A grande oportunidade surgiu em 1964, quando estreou na Fórmula 1 pela equipe Team Lotus, ainda sem o suporte financeiro que seu sobrenome poderia sugerir. No entanto, a transição não foi imediata: Revson alternou entre a F1 e a Fórmula 2, onde correu pela Tyrrell em 1965, acumulando quilometragem e refinando sua técnica. O ponto de virada veio em 1971, quando, já consolidado no automobilismo norte-americano, venceu o campeonato CanAm pela McLaren. Esse título foi o trampolim definitivo para um retorno à F1 em tempo integral a partir de 1972, agora como piloto titular da McLaren, abrindo as portas para as duas vitórias que marcariam sua carreira.
Carreira na F1
A estreia de Peter Revson na Fórmula 1 aconteceu em 1964, ao volante de um Lotus privado, mas foram necessários oito anos e passagens por Tyrrell e McLaren até que o americano encontrasse o carro certo. Em 1971, ano em que conquistou o título da CanAm pela McLaren, suas atuações consistentes lhe garantiram uma vaga fixa na equipe de Woking para a temporada seguinte. Foi em 1973 que Revson alcançou o auge de sua carreira na categoria. Pilotando o McLaren M23, ele conquistou suas duas únicas vitórias na Fórmula 1: no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, em Silverstone, e no Grande Prêmio do Canadá, em Mosport. Com oito pódios e uma pole position ao longo de 30 largadas, ele terminou o campeonato de 1973 na quinta posição, repetindo o resultado do ano anterior. Em 1974, mudou-se para a equipe Shadow, onde pilotaria até sua morte prematura durante um teste no mesmo ano.
Auge
Entre 1971 e 1973, Peter Revson viveu o auge de sua carreira no automobilismo. Em 1971, ele conquistou o título da CanAm pela McLaren, uma das categorias mais competitivas da época. Na Fórmula 1, seus melhores momentos vieram nos dois anos seguintes. Em 1972, pilotando pela McLaren, ele alcançou sua primeira vitória na categoria no Grande Prêmio da Grã-Bretanha em Brands Hatch, um triunfo que o consolidou como um dos nomes emergentes. Na temporada de 1973, Revson repetiu o feito ao vencer o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, novamente em Silverstone. Com consistência, ele terminou o campeonato de pilotos em quinto lugar tanto em 1972 quanto em 1973, somando cinco pódios nessas duas temporadas. Sua performance o levou a ser contratado pela equipe Shadow para a temporada de 1974, um movimento que parecia promissor, mas que infelizmente foi interrompido por sua morte prematura.
Vida pessoal
Nascido em uma das famílias mais conhecidas do mundo dos cosméticos – os Revson, fundadores da Revlon – Peter Jeffrey Revson carregava um sobrenome que abria portas, mas preferiu construir sua própria trajetória nas pistas. Filho de Martin Revson e Julie Phelps, cresceu em Nova York em um ambiente de privilégio, mas não de ostentação pública. A paixão pelo automobilismo o levou a competir ainda jovem, e ele manteve uma vida pessoal discreta, longe dos holofotes que cercavam o império familiar. Revson nunca se casou e não teve filhos conhecidos publicamente. Sua verdadeira herança, escreveria mais tarde em sua autobiografia Speed with Style, publicada postumamente em 1974, não estava nos negócios da família, mas na velocidade e na precisão que exigia de si mesmo dentro de um cockpit. Seu irmão, Douglas, também piloto, morreu em um acidente na Dinamarca em 1967, e os dois dividem o mesmo túmulo no cemitério Ferncliff, em Hartsdale, Nova York.
Depois da F1
Após deixar os cockpits da Fórmula 1 ao final de 1974, Revson não teve tempo para construir uma carreira pós-piloto. Sua morte precoce, durante um teste em Kyalami em março daquele ano, encerrou abruptamente qualquer plano que pudesse ter para além das pistas. O legado que deixou, no entanto, foi imortalizado postumamente. A autobiografia Speed with Style, coescrita com Leon Mandel, foi publicada pela Doubleday & Company ainda em 1974, oferecendo um relato direto de sua trajetória. Anos mais tarde, sua contribuição ao automobilismo foi reconhecida com a entrada no Motorsports Hall of Fame of America, consolidando seu nome na história do esporte. A família Revson, herdeira do império de cosméticos Revlon, viu na perda de Peter a repetição de uma tragédia: seu irmão, Douglas, também morrera em um acidente de corrida, na Dinamarca, em 1967. Os dois irmãos foram sepultados juntos em uma cripta no mausoléu do Cemitério Ferncliff, em Hartsdale, Nova York.
Morte
Kyalami, 22 de março de 1974. Durante uma sessão de testes para o Grande Prêmio da África do Sul, o Shadow DN3 de Peter Revson sofreu uma falha na suspensão dianteira na curva “Barbecue Bend”. O carro capotou, envolveu-se no guard-rail e pegou fogo. Equipes de resgate e outros pilotos conseguiram retirá-lo dos destroços, mas ele já estava morto. Tony Southgate, projetista do DN3, comentou o acidente em entrevista à Motor Sport em 2012.
Revson foi o segundo da família a morrer nas pistas; seu irmão Douglas havia falecido em um acidente na Dinamarca em 1967. Ambos estão sepultados juntos em uma cripta no mausoléu do Cemitério Ferncliff, em Hartsdale, Nova York. Sua autobiografia, Speed with Style, coescrita com Leon Mandel, foi publicada postumamente em 1974. Revson foi substituído na equipe por Tom Pryce, que morreria três anos depois, no mesmo Grande Prêmio.
Legado
Peter Revson foi o primeiro piloto norte-americano a vencer um Grande Prêmio de Fórmula 1 desde 1967, feito que repetiria na temporada seguinte. Suas duas vitórias, com a McLaren em 1973, e o quinto lugar nos campeonatos de 1972 e 1973 provaram que o automobilismo dos Estados Unidos podia competir no mais alto nível europeu. Sua trajetória foi interrompida em 1974, durante um teste em Kyalami, quando uma falha na suspensão dianteira de sua Shadow DN3 o levou a um acidente fatal. A morte de Revson, somada à de seu irmão Douglas, morto em 1967 na Dinamarca, selou o fim de uma dinastia. Sua autobiografia, Speed with Style, foi publicada postumamente em 1974. Revson foi introduzido no Motorsports Hall of Fame of America, reconhecimento de um legado que, embora breve, abriu portas para uma nova geração de pilotos americanos na Fórmula 1.
Linha do tempo
A vida em datas
1939
Nasce Peter Revson
Nascimento em New York City, United States.
New York City, United States
1964
Estreia na Fórmula 1
1967
Morte do irmão Douglas
Seu irmão Douglas Revson morre em um acidente de corrida na Dinamarca.
1971
Campeão da CanAm 1971
Vence o campeonato CanAm de 1971 pilotando pela equipe McLaren.
1973
Primeira vitória na F1
1974
Autobiografia publicada postumamente
Sua autobiografia 'Speed with Style', coescrita com Leon Mandel, é publicada postumamente pela Doubleday & Company.
1974
Última corrida na F1
1974
Falecimento
Morre em Kyalami.
Kyalami, South Africa
Galeria
Em imagens

Peter Revson, Canadian Grand Prix, Mosport, Canada, Sept. 23, 1972. Taken minutes after taking Pole Position, losing his left rear wheel nut, then wheel, and crashing at corner two at Mosport Park. He finished second in the Race itself held the next
Laurie Button · CC BY-SA 3.0

Peter Revson's McLaren M19C, Canadian G.P. Mosport Park, Sept. 23, 1972. Revson set the Pole Position lap, then on the next lap the Left rear wheel nut flew off, then the wheel itself and he crashed at turn two.
Laurie Button · CC BY-SA 3.0
Estatísticas
Os números
Pontos por temporada
Todos os GPs
Família
Os mais próximos
- Família
- Martin Revson
- Família
- Julie Phelps
Pilotos relacionados









