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🇳🇿1943 – 2016

Amon

Chris Amon

Bulls, Nova Zelândia, 20 de julho de 1943. Ali nasceu Christopher Arthur Amon, filho único de criadores de ovelhas abastados, que aprendeu a dirigir aos seis anos com um trabalhador rural. Antes de completar 20 anos, já estava na Inglaterra, atraído pela promessa de uma carreira

0Vitórias
5Poles

StickboyNZ · CC BY-SA 3.0

Nascimento

20 de julho de 1943

Bulls, New Zealand

Falecimento

3 de agosto de 2016

Rotorua, New Zealand

Status atual

Falecido

Biografia

A história

Bulls, Nova Zelândia, 20 de julho de 1943. Ali nasceu Christopher Arthur Amon, filho único de criadores de ovelhas abastados, que aprendeu a dirigir aos seis anos com um trabalhador rural. Antes de completar 20 anos, já estava na Inglaterra, atraído pela promessa de uma carreira na Fórmula 1. Amon pilotou para doze equipes diferentes – um recorde na categoria – e subiu ao pódio onze vezes em 96 GPs. Mas jamais venceu uma única corrida do campeonato. Essa lacuna paradoxal o transformou em lenda: para muitos, o melhor piloto a nunca ter vencido na F1, um homem cujo talento era igualado apenas por uma fama de azar tão persistente que Mario Andretti brincou: “se ele virasse coveiro, as pessoas parariam de morrer”. Antes disso, porém, Amon já havia vencido as 24 Horas de Le Mans de 1966 pela Ford e as 24 Horas de Daytona de 1967 pela Ferrari.

Origens

Aos seis anos, Chris Amon aprendeu a dirigir com um trabalhador rural na fazenda da família, em Bulls, na Nova Zelândia. Filho único de criadores de ovelhas abastados, Ngaio e Betty Amon, estudou no Whanganui Collegiate School. Ao deixar a escola, convenceu o pai a comprar-lhe um Austin A40 Special, com o qual disputou corridas e subidas de montanha locais, além de treinar na própria fazenda. Evoluiu para um Cooper 1.5 litro e depois para um Maserati 250F, mas só começou a chamar atenção ao volante do Cooper-Climax T51 que Bruce McLaren usara para vencer seu primeiro Grande Prêmio. Em 1962, inscreveu-se no campeonato de inverno neozelandês com o Cooper, mas foi prejudicado por problemas mecânicos. A Scuderia Veloce o colocou em um carro similar e, na chuva em Lakeside, ele teve uma atuação notável. Entre os espectadores estava o piloto inglês Reg Parnell, que o convenceu a ir para a Inglaterra e correr por sua equipe. Num teste em Goodwood, Amon continuou a impressionar e manteve o ritmo nas provas de pré-temporada Goodwood International Trophy e Aintree 200.

O caminho até a F1

Aos 19 anos, Chris Amon já chamava atenção nas pistas da Nova Zelândia. Em 1962, durante uma corrida molhada em Lakeside, seu desempenho com um Cooper-Climax chamou a atenção do inglês Reg Parnell, que o convidou para correr na Europa. Amon não hesitou. No teste em Goodwood, impressionou e disputou as pré-temporadas da Goodwood International Trophy e Aintree 200. O caminho para a Fórmula 1 estava aberto: em 1963, estreou na categoria aos 20 anos, pilotando uma Lola.

Carreira na F1

Aos 20 anos, Amon desembarcou na Inglaterra sob a proteção de Reg Parnell. Sua estreia na Fórmula 1 veio em 1963, mas o salto decisivo ocorreu em 1967, quando foi contratado pela Ferrari. Na escuderia italiana, o neozelandês viveu seu auge: conquistou cinco poles e subiu ao pódio três vezes naquele ano, terminando o campeonato em quinto lugar. Apesar do desempenho, a sorte nunca o acompanhou – falhas mecânicas e abandonos frequentes o impediram de transformar poles e voltas lideradas em vitórias.

Após deixar a Ferrari em 1970, Amon pilotou por uma dúzia de equipes diferentes, incluindo March, Matra, Tyrrell e sua própria escuderia, a Amon. Essa peregrinação lhe rendeu o recorde de maior número de marcas diferentes guiadas na história da F1, com treze. Em 96 largadas pelo campeonato, somou 83 pontos e 11 pódios – nenhuma vitória. O zero no quadro de triunfos o tornou o piloto com mais pódios sem jamais vencer um Grande Prêmio, uma marca que carregou como síntese de uma carreira veloz, mas incompleta.

Auge

O período mais forte de Chris Amon na Fórmula 1 concentrou-se entre 1967 e 1969, quando pilotou pela Scuderia Ferrari e, depois, pela March. Em 1967, sua primeira temporada completa pela equipe italiana, ele marcou 20 pontos e terminou em quinto lugar no campeonato, seu melhor resultado na carreira. Naquele ano, conquistou cinco de seus 11 pódios na categoria, incluindo três segundos lugares consecutivos (Mônaco, Bélgica e França). Apesar de não vencer, Amon largou da pole position em duas ocasiões naquele ano – Bélgica e Itália – e liderou voltas em seis corridas. Em 1968, ainda na Ferrari, somou mais dois pódios e mais duas poles, na França e novamente na Itália. Mudou-se para a March em 1970 e, no GP da Bélgica, alcançou seu último pódio na F1, um terceiro lugar. No total, em 96 GPs, Amon obteve cinco poles, 11 pódios e 83 pontos, números que, somados à sua reputação de velocidade pura, o consagraram como o piloto com mais pódios sem jamais vencer um Grande Prêmio válido pelo campeonato.

Vida pessoal

Nascido em Bulls, Nova Zelândia, Chris Amon era filho único de Ngaio e Betty Amon, prósperos criadores de ovelhas. Aprendeu a dirigir aos seis anos, ensinado por um funcionário da fazenda da família. Casou-se com Tish Wotherspoon em 1977, com quem teve três filhos e netos. Um de seus filhos, James, tornou-se um preparador físico de alta performance certificado, tendo treinado o time de críquete Central Districts Stags e sido revelado como o preparador físico do piloto Brendon Hartley. Após se afastar das pistas, Amon viveu uma vida mais reclusa, contrastando com a intensidade de sua carreira. Faleceu em 3 de agosto de 2016, aos 73 anos, no Hospital de Rotorua, vítima de câncer.

Depois da F1

Após deixar os cockpits da Fórmula 1, Amon retornou à Nova Zelândia e tornou-se executivo no automobilismo. Em 1993, foi nomeado Membro da Ordem do Império Britânico (MBE) por seus serviços ao esporte. Ele também emprestou seu nome a dois importantes legados no automobilismo neozelandês: o troféu do campeonato de pilotos da Toyota Racing Series e uma bolsa internacional que auxilia vencedores desse troféu a avançar na carreira em monopostos. Após sua morte, o Autódromo de Manfeild, em Feilding, foi renomeado em sua homenagem. Sua biografia, Forza Amon, escrita pelo jornalista Eoin Young, detalha sua carreira e oferece uma visão de sua vida pessoal.

Morte

Chris Amon morreu no Hospital de Rotorua, na Nova Zelândia, em 3 de agosto de 2016, aos 73 anos, vítima de câncer. Deixou a esposa Tish Wotherspoon, com quem se casara em 1977, três filhos e netos. Um de seus filhos, James, é preparador físico de alta performance e trabalhou com a equipe de críquete Central Districts Stags, além de ter sido revelado como preparador pessoal do piloto neozelandês Brendon Hartley. A morte de Amon encerrou a vida de um competidor que, ao longo de quinze anos na Fórmula 1, sobreviveu a acidentes graves, como o de 1976, enquanto via amigos como Bruce McLaren perderem a vida nas pistas. Ele próprio, ao refletir sobre a morte de Jim Clark em 1968, dissera: “Se isso pode acontecer com Jimmy, que chance temos nós?”

Legado

Mesmo sem jamais vencer um Grande Prêmio válido pelo campeonato mundial, Amon subiu ao pódio onze vezes em 96 largadas, conquistou cinco poles e liderou 183 voltas. O neozelandês detém o recorde de maior número de diferentes construtoras pilotadas na Fórmula 1: treze. A fama de azarado era tamanha que Mario Andretti brincou: “Se ele virasse coveiro, as pessoas parariam de morrer”. O diretor técnico da Ferrari, Mauro Forghieri, o chamou de “o melhor piloto de testes com quem já trabalhei”. Fora da F1, venceu as 24 Horas de Le Mans de 1966 (com Bruce McLaren) e as 24 Horas de Daytona de 1967. Em 1995, foi incluído no Hall da Fama do Esporte da Nova Zelândia. Seu nome batiza o troféu do campeonato de pilotos da Toyota Racing Series e, após sua morte, o Autódromo de Manfeild, em Feilding, foi renomeado em sua homenagem.

Linha do tempo

A vida em datas

  1. 1943

    Nasce Chris Amon

    Nascimento em Bulls, New Zealand.

    Bulls, New Zealand

  2. 1963

    Estreia na Fórmula 1

  3. 1976

    Acidente grave em 1976

    Sofre um acidente grave durante a temporada de 1976, do qual sobreviveu, enquanto outros pilotos como Bruce McLaren sofreram ferimentos fatais.

  4. 1976

    Última corrida na F1

  5. 1977

    Casamento com Tish Wotherspoon

    Casa se com Tish Wotherspoon. O casal teve três filhos e vários netos.

  6. 1993

    Membro da Ordem do Império Britânico

    Recebe o título de Membro da Ordem do Império Britânico (MBE) por seus serviços ao automobilismo.

  7. 1995

    Indução ao Hall da Fama dos Esportes da Nova Zelândia

    Chris Amon é induzido ao New Zealand Sports Hall of Fame, reconhecendo suas contribuições ao automobilismo.

  8. 2016

    Falecimento

    Morre em Rotorua.

    Rotorua, New Zealand

Galeria

Dieter Quester, Toine Hezemans und Chris Amon im Fahrerlager des Nürburgrings

Dieter Quester, Toine Hezemans und Chris Amon im Fahrerlager des Nürburgrings

Lothar Spurzem · CC BY-SA 2.0 de

Chris Amon and Murray Walker competing in the 2003 Dunlop Targa New Zealand.

Chris Amon and Murray Walker competing in the 2003 Dunlop Targa New Zealand.

StickboyNZ · CC BY-SA 3.0

Estatísticas

Os números

GPs disputados102
Vitórias0
Pódios11
Poles5
Voltas mais rápidas0
Pontos83
Títulos mundiais0
Melhor resultado

Pontos por temporada

Todos os GPs

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