Grande Milton, Oxfordshire, 2 de abril de 1940. Ali nascia Stanley Michael Bailey Hailwood, o filho de um milionário que se tornaria o maior motociclista de sua geração. Conhecido como Mike “The Bike” pela habilidade natural sobre duas rodas, ele conquistou nove títulos mundiais de Grand Prix, quatro deles na categoria rainha das 500cc entre 1962 e 1965. Acumulou 76 vitórias e 112 pódios em Grandes Prêmios, além de 14 triunfos no lendário TT da Ilha de Man. Após dominar as motos, decidiu migrar para a Fórmula 1, onde disputou 51 corridas entre 1963 e 1974 por equipes como Lotus e McLaren, conquistando dois pódios. Sua trajetória, porém, foi encerrada de forma trágica em 1981, fora das pistas.

Hailwood
Mike Hailwood
Grande Milton, Oxfordshire, 2 de abril de 1940. Ali nascia Stanley Michael Bailey Hailwood, o filho de um milionário que se tornaria o maior motociclista de sua geração. Conhecido como Mike “The Bike” pela habilidade natural sobre duas rodas, ele conquistou nove títulos mundiais
https://www.flickr.com/photos/zantafio56/ · CC BY-SA 2.0
Nascimento
2 de abril de 1940
Great Milton, United Kingdom
Falecimento
23 de março de 1981
Warwickshire, United Kingdom
Status atual
Falecido
Biografia
A história
Origens
Mike Hailwood nasceu em 2 de abril de 1940 em Langsmeade House, Great Milton, Oxfordshire, filho único e primogênito de Stanley William Bailey Hailwood, um milionário empresário do setor automotivo e ex-piloto de motociclismo no período pré-Segunda Guerra. A infância foi confortável e, ainda pequeno, aprendeu a pilotar uma minibike em um campo perto de casa. Estudou na Purton Stoke Preparatory School, em Kintbury, e no Pangbourne Nautical College, onde vestiu uniforme de cadete da Marinha Real. Deixou os estudos cedo e trabalhou brevemente nos negócios da família antes de seu pai enviá-lo para a Triumph motorcycles, onde teve o primeiro contato profissional com as duas rodas que definiriam sua carreira.
O caminho até a F1
Ainda antes de pisar num circuito de Fórmula 1, Mike Hailwood já era uma lenda sobre duas rodas. Tetracampeão mundial das 500cc entre 1962 e 1965, o inglês decidiu testar seus limites no automobilismo. Sua estreia nos monopostos aconteceu em 1963, ainda em paralelo com as motos, pilotando um Lotus privado no GP da Grã-Bretanha. Mas foi só após encerrar o ciclo na MV Agusta que ele mergulhou de cabeça nos carros. Em 1965, disputou o campeonato de Fórmula 2, onde chamou a atenção ao vencer corridas de forma consistente. O desempenho lhe rendeu um convite da equipe Lotus para a F1 em 1966, a porta de entrada definitiva. Hailwood alternou entre categorias, mas foi na F2 que refinou o traçado das curvas e a precisão nas freadas, habilidades que levou para a categoria máxima. A transição não foi imediata, mas seu nome já carregava peso suficiente para abrir as portas do grid.
Carreira na F1
Apesar de ser conhecido mundialmente como um dos maiores motociclistas de todos os tempos, a passagem de Mike Hailwood pela Fórmula 1 foi modesta em resultados. Entre 1963 e 1974, o britânico disputou 51 Grandes Prêmios, conquistando apenas dois pódios e nenhuma vitória, pole position ou volta mais rápida. Sua estreia ocorreu em 1963 pela Team Lotus, mas a transição das duas para as quatro rodas nunca se traduziu em sucesso consistente. Ao longo de uma década, pilotou por equipes como Lola, Surtees e McLaren, sem jamais alcançar a dominância que exercia nas motos. Apesar da falta de triunfos, sua mera presença no grid, dividindo espaço com campeões enquanto acumulava títulos mundiais de motociclismo, tornou sua trajetória na F1 um capítulo curioso e respeitado, ainda que sem brilho, de um dos maiores talentos sobre duas rodas que o esporte já viu.
Auge
Entre 1962 e 1965, Mike Hailwood não apenas dominou a categoria rainha do motociclismo – ele a redefiniu. Foram quatro títulos consecutivos na classe 500cc, todos conquistados pela MV Agusta, a fábrica italiana que então reinava absoluta. Nesse período, venceu 37 Grandes Prêmios na categoria principal e somou 48 pódios, números que, somados às suas conquistas nas classes menores, o levaram a 76 vitórias e 112 pódios ao longo de toda a carreira sobre duas rodas. Em 1964, tornou-se o primeiro piloto a vencer três corridas no mesmo dia no TT da Ilha de Man, façanha que jamais foi repetida. Sua capacidade de extrair performance onde outros viam apenas risco lhe rendeu o apelido de “Mike the Bike”. Quando deixou as motos, ao fim de 1967, carregava nove títulos mundiais – quatro deles na classe máxima – e um legado de domínio tão absoluto que até mesmo sua posterior e modesta passagem pela Fórmula 1 jamais ofuscou o que ele havia sido: o homem mais rápido sobre duas rodas em sua era.
Vida pessoal
Filho de um milionário que havia corrido de moto antes da guerra, Mike Hailwood cresceu em Oxfordshire com uma vida confortável e um gosto precoce pela velocidade. Antes mesmo de trocar a MV Agusta pela Honda em 1966, já era o piloto mais bem pago do mundo. Vivendo em um flat de solteiro em Heston, oeste de Londres, Hailwood acumulava 30 mil milhas rodadas e 160 mil milhas aéreas por ano, alternando pistas ao redor do mundo com uma coleção de carros esportivos potentes. Em 1964, escreveu The Art of Motorcycle Racing com o comentarista Murray Walker. Mudou-se para a África do Sul em 1967, onde passava os invernos na fazenda do piloto Paddy Driver. Sobre casamento, declarou à Motorcycle Mechanics em 1968: “Isso é coisa para passarinho!”. Apesar da pose, teve dois filhos com a modelo Pauline: Michelle (1971) e David. Casaram-se em 11 de junho de 1975. Pauline morreu em junho de 2020 após uma doença.
Depois da F1
Após pendurar o capacete na Fórmula 1 em 1974, Hailwood não se afastou do automobilismo. Em 1978, voltou ao TT da Ilha de Man para uma vitória histórica na corrida de Fórmula 1 sobre motos, um feito que lhe rendeu o Troféu Segrave em 1979. No final daquele ano, estabeleceu uma concessionária de motocicletas Honda em Birmingham, chamada Hailwood and Gould, em parceria com o ex-piloto Rodney Gould. A Ducati, inspirada por sua vitória, lançou uma edição especial "Mike Hailwood Replica" da 900SS, da qual aproximadamente 7.000 unidades foram vendidas. Sua vida após as pistas, porém, foi tragicamente curta.
Morte
Aos 40 anos, Mike Hailwood morreu não em uma pista, mas em um trecho comum da A435 em Warwickshire. Em 21 de março de 1981, ele dirigia seu Rover SD1 com os filhos Michelle, de nove anos, e David para buscar fish and chips. Um caminhão fez uma conversão ilegal e invadiu a mão contrária. O impacto foi fatal: Michelle morreu na hora. Hailwood, com graves ferimentos internos, resistiu por dois dias no hospital antes de falecer. David sobreviveu com ferimentos leves. O motorista do caminhão foi multado em £100.
O funeral, em 1º de abril, reuniu o que havia de mais célebre no automobilismo: Giacomo Agostini, Alain Prost, Nelson Piquet, James Hunt, Niki Lauda, Gilles Villeneuve, entre outros. Hailwood contava que uma vidente na África do Sul lhe dissera que não viveria além dos 40 anos e seria morto por um caminhão. “Não vai acontecer numa pista”, dizia. A previsão se cumpriu fora do asfalto, numa estrada qualquer.
Legado
O legado de Mike Hailwood é medido em números que atravessam duas rodas e quatro. Foram 76 vitórias em Grandes Prêmios de moto, 112 pódios e nove títulos mundiais – quatro deles na categoria rainha das 500cc, conquistados entre 1962 e 1965. Nas pistas de carros, disputou 51 corridas de Fórmula 1 e subiu ao pódio duas vezes. Mas o peso de seu nome vai além das estatísticas. Em 1979, recebeu o Troféu Segrave por suas façanhas no TT da Ilha de Man, onde venceu 14 vezes. A Ducati, após sua vitória na Ilha de Man em 1978, lançou uma série limitada Mike Hailwood Replica baseada na 900SS, da qual venderam cerca de 7 mil unidades. A FIM o consagrou como Lenda do Motociclismo em 2000, mesmo ano em que foi incluído no Hall da Fama da AMA. No ano seguinte, entrou para o International Motorsports Hall of Fame. Na Ilha de Man, uma curva do circuito de Snaefell foi batizada de Hailwood’s Rise, e o Mike Hailwood Centre, no paddock de Douglas, mantém viva sua memória por meio de uma fundação que apoia novos competidores.
Linha do tempo
A vida em datas
1940
Nasce Mike Hailwood
Nascimento em Great Milton, United Kingdom.
Great Milton, United Kingdom
1963
Estreia na Fórmula 1
1964
Publica 'The Art of Motorcycle Racing'
Em parceria com o comentarista e jornalista Murray Walker, Hailwood publica o livro 'The Art of Motorcycle Racing'.
1966
Transfere da MV Agusta para a Honda
Hailwood se transfere da MV Agusta para a Honda no Campeonato Mundial de Motociclismo, tornando se o piloto mais bem pago do mundo.
1967
Muda se para a África do Sul
Após se mudar para a África do Sul, Hailwood confirma que passaria os meses de inverno na fazenda do piloto Paddy Driver perto de Joanesburgo.
Joanesburgo, África do Sul
1971
Nascimento da filha Michelle
Nasce Michelle, primeira filha de Mike Hailwood e Pauline.
1974
Última corrida na F1
1975
Casamento com Pauline
Mike Hailwood casa se com a modelo Pauline, mãe de seus dois filhos.
1978
Vitória na corrida de Fórmula 1 da Ilha de Man
Hailwood vence a corrida de motos Fórmula 1 na Ilha de Man, levando a Ducati a lançar a réplica Mike Hailwood 900SS.
Douglas, Ilha de Man
1979
Recebe o Troféu Segrave
Hailwood é agraciado com o Troféu Segrave de 1979 em reconhecimento às suas façanhas na Ilha de Man.
1979
Patrono do Joan Seeley Pain Relief Memorial Trust
Hailwood torna se patrono de uma pequena instituição de caridade, o Joan Seeley Pain Relief Memorial Trust.
1979
Abre concessionária Hailwood and Gould
Após se aposentar do esporte a motor, Hailwood estabelece uma concessionária de motos Honda em Birmingham em parceria com Rodney Gould.
Birmingham, Reino Unido
1981
Acidente de carro fatal
Hailwood sofre um grave acidente de carro quando um caminhão faz uma conversão ilegal. Sua filha Michelle morre instantaneamente; Hailwood morre dois dias depois devido a ferimentos internos graves.
Portway, Warwickshire, Reino Unido
1981
Falecimento
Morre em Warwickshire.
Warwickshire, United Kingdom
1981
Funeral de Mike Hailwood
O funeral de Hailwood é realizado, com a presença de familiares, amigos e muitas personalidades do automobilismo, incluindo Giacomo Agostini, Alain Prost, Nelson Piquet e James Hunt.
1984
Inauguração do Mike Hailwood Centre
Pauline Hailwood inaugura oficialmente o Mike Hailwood Centre, um edifício multiuso no TT Grandstand em Douglas, administrado pela Mike Hailwood Foundation.
Douglas, Ilha de Man
2000
Nomeado Lenda da MotoGP
A FIM nomeia Hailwood como 'Lenda' do Grande Prêmio. No mesmo ano, é introduzido no AMA Motorcycle Hall of Fame.
2001
Incluído no International Motorsports Hall of Fame
Hailwood é introduzido no International Motorsports Hall of Fame.
Talladega, Estados Unidos
Galeria
Em imagens

DSC_4963 Baston Car Show 2013
andy carter from England · CC BY 2.0

1972 French Grand Prix...
https://www.flickr.com/photos/zantafio56/ · CC BY-SA 2.0

Headstone of Mike and Michelle Hailwood taken in 2014 at The St. Mary Magdalene Church graveyard at Tanworth in Arden
Brolou58 · CC BY-SA 4.0
Estatísticas
Os números
Pontos por temporada
Todos os GPs
Pilotos relacionados









