Kilmany, Escócia, 1936. Numa família de agricultores, onde o destino parecia traçado entre campos e ovelhas, nasceu James Clark Jr. — o homem que viria a redefinir os limites do automobilismo. Em apenas oito temporadas na Fórmula 1, conquistou dois títulos mundiais (1963 e 1965) e, ao morrer, detinha os recordes de vitórias (25), poles (33) e voltas mais rápidas (28). Sua versatilidade, porém, transcendia a categoria: venceu as 500 Milhas de Indianápolis em 1965, competiu na NASCAR, no campeonato britânico de turismo e em ralis. Pilotava com uma suavidade que Jackie Stewart descreveria como "limpa, cheia de fineza". Número 82, verde e amarelo, tornou-se lenda antes dos 33 anos.

Clark
Jim Clark
Kilmany, Escócia, 1936. Numa família de agricultores, onde o destino parecia traçado entre campos e ovelhas, nasceu James Clark Jr. — o homem que viria a redefinir os limites do automobilismo. Em apenas oito temporadas na Fórmula 1, conquistou dois títulos mundiais (1963 e 1965)
Victuallers · CC BY-SA 4.0
Nascimento
4 de março de 1936
Kilmany, United Kingdom
Falecimento
7 de abril de 1968
Hockenheimring, Germany
Status atual
Falecido
Biografia
A história
Origens
Aos 17 anos, Jim Clark já competia em ralis e subidas de montanha na Escócia, usando carros próprios ou emprestados, para desgosto dos pais, que temiam por sua segurança. Sua estreia oficial ocorreu em 3 de junho de 1956, no Stobs Camp Sprint, onde venceu ao volante de um Sunbeam Mk3. Até outubro daquele ano, disputou oito corridas, alternando com o trabalho na fazenda da família, em Kilmany. Um amigo e entusiasta, Ian Scott Watson, cedeu-lhe um DKW Sonderklasse e teve papel fundamental nesses primeiros passos.
Em 1957, venceu o Border Motor Racing Club Trophy em Charterhall e a Rest-and-be-Thankful Hillclimb com seu próprio Triumph TR-3. O ponto de virada veio em 1958, com um convite para correr pela equipe Border Reivers, o que lhe permitiu competir por toda a Inglaterra. Em maio daquele ano, disputou sua primeira prova internacional, em Spa-Francorchamps. Em 26 de dezembro, conheceu Colin Chapman, fundador da Lotus, e impressionou o engenheiro ao terminar em segundo lugar em sua primeira corrida com um Lotus Elite, mesmo após ser atingido por um adversário. Em 1959, estreou nas 24 Horas de Le Mans com a Lotus e, ainda no mesmo ano, fez a transição para os monopostos ao disputar uma corrida de Fórmula Júnior em Brands Hatch. Até então, acumulava cerca de 50 vitórias em diferentes modalidades.
O caminho até a F1
Aos 17 anos, Jim Clark começou a competir em ralis e subidas de montanha na Escócia, usando carros próprios ou emprestados. Sua estreia oficial foi em 3 de junho de 1956, no Stobs Camp Sprint, onde venceu com um Sunbeam Mk3. Naquele ano, disputou oito corridas, aproveitando os períodos de menor atividade na fazenda da família. Em 1958, um convite para correr pela equipe Border Reivers marcou uma virada. Em maio daquele ano, fez sua primeira corrida internacional, em Spa-Francorchamps, na Bélgica. Em 26 de dezembro, conheceu Colin Chapman, fundador da Lotus, e disputou sua primeira prova com um Lotus Elite, terminando em segundo e impressionando o engenheiro. Em 1959, Clark estreou nas 24 Horas de Le Mans com a Lotus, ao lado de John Whitmore, terminando em segundo na classe GT 1500. Em 26 de dezembro de 1959, correu em Brands Hatch com um Gemini na Fórmula Júnior, marcando a transição para os monopostos. Até então, acumulara cerca de 50 vitórias em diferentes categorias, pavimentando o caminho para a Fórmula 1.
Carreira na F1
A estreia de Jim Clark na Fórmula 1 aconteceu em 1960, no Grande Prêmio da Holanda, pilotando um Lotus. A temporada de 1961 foi de aprendizado e adaptação, mas já em 1962 ele chegou ao vice-campeonato, vencendo sua primeira corrida na Bélgica. O domínio absoluto veio em 1963: com sete vitórias em dez corridas, Clark conquistou o primeiro título mundial com uma vantagem avassaladora. Em 1965, repetiu o feito com outra campanha implacável, vencendo seis provas e tornando-se bicampeão. Em 72 largadas na categoria, acumulou 25 vitórias, 33 poles e 32 pódios, todos pela Lotus. Sua velocidade era combinada a uma suavidade ímpar: Jackie Stewart, seu contemporâneo, definiu seu estilo como limpo e cheio de fineza, sem jamais maltratar o carro. Clark não se limitou à F1; em 1965 tornou-se o primeiro estrangeiro em 49 anos a vencer as 500 Milhas de Indianápolis. Sua morte precoce, em 1968, interrompeu uma trajetória que, estatisticamente, o colocava como o maior piloto de sua geração.
Auge
O período de 1963 a 1965 representa o auge estatístico e qualitativo de Jim Clark na Fórmula 1. Em 1963, ele conquistou seu primeiro título mundial de forma avassaladora: venceu 7 das 10 corridas da temporada, um aproveitamento de 70% que permaneceu como referência por décadas. Naquele ano, ele também estabeleceu o recorde de maior margem de vitória, vencendo o Grande Prêmio da Bélgica por quase cinco minutos sobre o segundo colocado. Em 1965, repetiu o feito ao conquistar o bicampeonato, novamente com 6 vitórias em 10 corridas, e tornou-se o primeiro não-americano em 49 anos a vencer as 500 Milhas de Indianápolis, pilotando um Lotus. Sua dominância não se limitava aos números absolutos: em 45,2% de suas largadas na carreira ele conquistou a pole position, e nas 34 corridas que terminou, liderou 70,3% das voltas. A versatilidade era seu selo — no mesmo período, venceu o campeonato britânico de turismo (BTCC) com um Lotus Cortina e competiu em Le Mans, ralis e provas de subida de montanha. Fangio, cinco vezes campeão, declarou que Clark era o maior piloto de todos os tempos.
Vida pessoal
Jim Clark mantinha uma vida pessoal discreta, em grande parte à sombra da fazenda da família em Kilmany, na Escócia, onde nasceu e para onde estava destinado a trabalhar. Único filho homem entre cinco irmãos, seus pais viam com preocupação seu envolvimento com as corridas. Clark nunca se casou e não teve filhos conhecidos publicamente. Sua vida fora das pistas era centrada na Escócia, onde retornava entre as corridas para ajudar na propriedade rural. Conhecido por sua personalidade reservada e educada, contrastava com a agressividade que exibia ao volante. Escreveu uma autobiografia, Jim Clark at the Wheel, publicada logo após seu primeiro título mundial em 1963 e atualizada após sua vitória nas 500 Milhas de Indianápolis em 1965. Em 1964, foi condecorado como Oficial da Ordem do Império Britânico (OBE), um reconhecimento raro para um piloto em atividade na época.
Depois da F1
Após o fim de sua carreira na Fórmula 1, Jim Clark não teve uma vida pós-corridas. Sua trajetória foi interrompida de forma abrupta e trágica em 7 de abril de 1968, durante uma prova de Fórmula 2 no circuito de Hockenheimring, na Alemanha. Na quinta volta da primeira bateria, seu Lotus 48 saiu da pista e colidiu contra árvores. Clark sofreu uma fratura no crânio e no pescoço, falecendo antes de chegar ao hospital. A causa do acidente nunca foi definitivamente estabelecida, mas a investigação concluiu que o mais provável era um pneu traseiro esvaziado. Sua morte chocou o automobilismo mundial. Colin Chapman, fundador da Lotus e seu amigo pessoal, ficou devastado. Pilotos como Graham Hill, Jackie Stewart e Dan Gurney sentiram profundamente a perda. O campeonato de 1968 foi vencido por seu companheiro de equipe, Graham Hill, que dedicou o título a Clark.
Morte
O dia 7 de abril de 1968 começou como outro qualquer no calendário de Jim Clark. O bicampeão mundial de Fórmula 1, então com 32 anos, optou por correr o Deutschland Trophäe, uma prova de Fórmula 2 em Hockenheim, na Alemanha Ocidental, em vez dos 1000 km de Brands Hatch. A decisão, tomada por obrigações contratuais com a Firestone, o colocou no Lotus 48. Na quinta volta da primeira bateria, o carro saiu da pista e colidiu violentamente contra as árvores. Clark sofreu uma fratura no crânio e no pescoço, morrendo antes de chegar ao hospital.
A causa do acidente nunca foi definitivamente esclarecida. Investigações, conduzidas inclusive por especialistas em acidentes aéreos ao longo de três semanas, apontaram como provável um pneu traseiro furado. Pilotos como John Surtees e Jack Brabham rejeitaram a hipótese de erro humano, convencidos de que Clark não era capaz de um erro tão grave. A comoção foi imensa. Colin Chapman, seu amigo e chefe de equipe, declarou publicamente ter perdido seu melhor amigo. O funeral atraiu pessoas de todo o mundo. O campeonato daquele ano foi vencido por Graham Hill, seu companheiro de equipe, que dedicou o título a Clark.
Legado
Legado
Jim Clark disputou 72 Grandes Prêmios de Fórmula 1 e venceu 25 – uma taxa de 34,7% que, em termos de aproveitamento, supera a de qualquer outro bicampeão. Conquistou 33 poles (45,2% das corridas) e, nas 34 provas que completou, liderou 70,3% das voltas. O recorde de sete vitórias em uma só temporada, estabelecido em 1963 com apenas dez corridas, só foi igualado por Alain Prost em 1984 e superado por Ayrton Senna em 1988, ambos com calendários de 16 etapas. Nenhum desses números, porém, captura inteiramente o que o escocês representou. Ele dominou a Indy 500 em 1965, venceu no BTCC com um Lotus Cortina, competiu em Le Mans, na NASCAR e em ralis – uma versatilidade que levou Juan Manuel Fangio a chamá-lo de “o melhor piloto de todos”. Jackie Stewart, que o sucedeu como referência britânica, resumiu: “Ele era tão suave, tão limpo, dirigia com tanta fineza. Nunca forçava o carro.” Clark foi introduzido no International Motorsports Hall of Fame em 1990 e, em 2009, o jornal The Times o elegeu o número 1 entre os 50 maiores pilotos da história.
Linha do tempo
A vida em datas
1936
Nasce Jim Clark
Nascimento em Kilmany, United Kingdom.
Kilmany, United Kingdom
1956
Primeira competição oficial
Clark vence sua primeira competição oficial no Stobs Camp Sprint, na Escócia, pilotando um Sunbeam Mk3.
Stobs Camp, United Kingdom
1957
Primeira vitória em automóvel
Clark obtém sua primeira vitória em um automóvel ao vencer o Border Motor Racing Club Trophy em Charterhall.
Charterhall, United Kingdom
1958
Primeira competição internacional
Clark participa de sua primeira competição internacional em Spa-Francorchamps, na Bélgica.
Spa, Belgium
1958
Conhece Colin Chapman
Clark conhece Colin Chapman, fundador da Lotus, e disputa sua primeira corrida com um Lotus Elite, impressionando o engenheiro.
1959
Estreia nas 24 Horas de Le Mans
Clark estreia nas 24 Horas de Le Mans com um Lotus Elite, terminando em 2º na classe GT 1500 e 10º na geral.
Le Mans, France
1959
Estreia em monopostos
Clark compete em sua primeira corrida de Fórmula Júnior em Brands Hatch, marcando sua transição para os monopostos.
Brands Hatch, United Kingdom
1960
Estreia na Fórmula 1
1962
Primeira vitória na F1
1963
Campeão mundial de 1963
1964
Nomeado Oficial da Ordem do Império Britânico
Clark é nomeado Oficial da Ordem do Império Britânico (OBE) por seus serviços ao automobilismo.
1964
Vence o Campeonato Britânico de Carros de Turismo
Clark vence o Campeonato Britânico de Carros de Turismo (BTCC) pilotando um Lotus Cortina.
1965
Vence as 500 Milhas de Indianápolis
Clark vence as 500 Milhas de Indianápolis com a Lotus, tornando-se o primeiro vencedor não americano da prova em 49 anos.
Indianapolis, United States
1965
Campeão mundial de 1965
1966
Participa do RAC Rally
Clark participa do RAC Rally de 1966 na Grã-Bretanha pilotando um Lotus Cortina.
1967
Participa de corrida da NASCAR
Clark participa de sua única corrida na NASCAR, a American 500 em Rockingham, pilotando um Ford Holman Moody.
Rockingham, United States
1967
Última corrida na F1
1968
Falecimento
Morre em Hockenheimring.
Hockenheimring, Germany
1968
Acidente fatal em Hockenheim
Clark morre em um acidente durante o Deutschland Trophäe, uma corrida de Fórmula 2 em Hockenheimring, após seu Lotus 48 sair da pista e colidir com árvores.
Hockenheim, Germany
Galeria
Em imagens

Gemini Mk 2 2018 Silverstone Classic. This was the first single seater car to be driven by Jim Clark.
https://www.flickr.com/photos/davehamster/ · CC BY 2.0

Duns, 44 Newtown Street, Westwood (villa in Duns, Scottish Borders, Scotland, UK)
Victuallers · CC BY-SA 4.0

Jim Clark Gravestone in 2019
Leo A Capaldi · CC BY-SA 4.0
Estatísticas
Os números
Pontos por temporada
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