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🇧🇷1944 – 1977

Pace

Carlos Pace

São Paulo, 6 de outubro de 1944. Na capital paulista nascia José Carlos Pace, o brasileiro que, em 1975, devolveu ao país o orgulho de vencer em casa. Foi no Autódromo de Interlagos, pilotando uma Brabham, que ele conquistou a única vitória de sua carreira na Fórmula 1 – o Grande

1Vitórias
1Poles

El Gráfico · Public domain

Nascimento

6 de outubro de 1944

São Paulo, Brazil

Falecimento

18 de março de 1977

Mairiporã, Brazil

Status atual

Falecido

Biografia

A história

São Paulo, 6 de outubro de 1944. Na capital paulista nascia José Carlos Pace, o brasileiro que, em 1975, devolveu ao país o orgulho de vencer em casa. Foi no Autódromo de Interlagos, pilotando uma Brabham, que ele conquistou a única vitória de sua carreira na Fórmula 1 – o Grande Prêmio do Brasil. Em seis temporadas na categoria, de 1972 a 1977, Pace acumulou 72 largadas, seis pódios e uma pole position, pilotando por equipes como March, Surtees e Brabham-Alfa Romeo. Sua trajetória, porém, foi interrompida de forma trágica em 18 de março de 1977, quando morreu em um acidente aéreo em Mairiporã, aos 32 anos. O piloto que carregava o apelido de infância “Moco” deixou um legado tão profundo que, em 1985, o próprio circuito de Interlagos foi rebatizado com seu nome.

Origens

José Carlos Pace nasceu em São Paulo, filho de Angelo Raphael Pace, empresário têxtil, e Amélia Pace. De ascendência italiana por parte de pai e mãe, passou parte da infância na Itália, e ao retornar ao Brasil ganhou o apelido de “Moco” por só falar italiano. Teve três irmãos: Ângelo, Victor e Maria Amélia. Incentivado pelos amigos Wilson e Emerson Fittipaldi, iniciou no kart em 1960, aos 15 anos. Estudou contabilidade enquanto os irmãos mais velhos ajudavam o pai nos negócios. Em 1963, fez a transição para os carros de corrida.

O caminho até a F1

São Paulo, 1971. Aos 27 anos, Carlos Pace já havia conquistado o Campeonato Brasileiro de Fórmula Ford e chamado a atenção na Europa. Em 1970, competiu na Fórmula 3 Inglesa pela equipe Lotus, mas foi na Fórmula 2 que seu talento realmente floresceu. No ano seguinte, pilotando um Surtees TS10, Pace venceu o prestigiado Grande Prêmio de Salzburgo e subiu ao pódio em outras provas, consolidando-se como um dos principais nomes da categoria. Sua consistência e velocidade impressionaram a equipe March, que lhe ofereceu um contrato para a Fórmula 1 em 1972. A estreia ocorreu no Grande Prêmio da África do Sul, em Kyalami, onde terminou em sexto lugar, marcando seus primeiros pontos. O caminho para a F1 estava pavimentado por resultados sólidos nas categorias de base, uma combinação de talento nato e trabalho duro que o levou a se tornar o segundo brasileiro a vencer um Grande Prêmio.

Carreira na F1

Em 1972, Carlos Pace estreou na Fórmula 1 pilotando uma March pela equipe de Frank Williams, mas foi na Brabham, a partir de 1974, que sua carreira encontrou o ponto de virada. Ao lado do bicampeão Emerson Fittipaldi, ele carregava a expectativa de um país que começava a se apaixonar pelo automobilismo. Em 72 largadas, conquistou seis pódios e uma única, porém inesquecível, vitória: o Grande Prêmio do Brasil de 1975, em Interlagos, diante de um público que o consagrou como herói nacional. Naquele ano, também marcou a única pole position de sua trajetória. Pilotou por March, Surtees e Brabham, esta última já equipada com motores Alfa Romeo em seus anos finais. Sua consistência e velocidade o colocaram entre os pilotos respeitados do grid, mas a tragédia interrompeu o voo em 1977, antes que pudesse colher os frutos de uma maturidade que começava a desabrochar.

Auge

Os anos de pico de Carlos Pace na Fórmula 1 são, por definição, um período curto e concentrado. Entre 1973 e 1975, o brasileiro viveu seu auge competitivo, acumulando cinco de seus seis pódios na categoria e a única vitória. O ponto máximo foi inegavelmente o Grande Prêmio do Brasil de 1975, em Interlagos, quando, guiando um Brabham, venceu diante de seu público. Esta foi a primeira vitória de um brasileiro em casa desde Emerson Fittipaldi em 1973. Naquele ano, Pace somou 24 pontos, seu recorde pessoal em uma temporada, e terminou o campeonato na sexta posição geral. Em 1974, já com a Brabham, ele havia conquistado dois terceiros lugares (África do Sul e Áustria) e um segundo lugar nos EUA, mostrando consistência. A pole position no GP da África do Sul de 1975 prova que, naquele momento, ele tinha o ritmo de um vencedor. No entanto, o período de glória foi fugaz: com a mudança de regulamentos e a saída do motor Ford para a Alfa Romeo no final de 1975, a Brabham perdeu competitividade, e Pace nunca mais voltou ao topo do pódio. Em 72 largadas, apenas um triunfo, mas aquele, em Interlagos, bastou para imortalizá-lo.

Vida pessoal

Pace casou-se com Elda d’Andrea em 1968, após dez anos de namoro. Em 1972, seu pai, Angelo Raphael Pace, cometeu suicídio por problemas nos negócios; a notícia só foi revelada a Pace depois que ele conquistou seus primeiros pontos na Fórmula 1, ao chegar em sexto no Grande Prêmio da Espanha. O amigo Carlo Gancia afirmou que Pace “amava seu pai mais do que qualquer coisa”. Após o Grande Prêmio da África do Sul de 1977, Pace voltou ao Brasil arrasado com a morte de Tom Pryce. Sua esposa Elda recordou: “Ele estava muito chateado. A maioria dos pilotos era fria, precisavam ser frios, mas eu o vi chorando após acidentes quatro ou cinco vezes”. Gancia acrescentou que Pace “era tocado e comovido por essas coisas porque todos gostavam dele e ele fazia amigos por todo o pitlane”. Após sua morte em 1977, o amigo de longa data Bernie Ecclestone ajudou Elda a organizar as finanças e garantir que ela e a família fossem bem cuidadas.

Depois da F1

Após encerrar a carreira na Fórmula 1 ao final de 1977, Pace retornou ao Brasil com planos de se dedicar aos negócios da família e a novas empreitadas no automobilismo. Sua morte prematura, em 18 de março daquele ano, interrompeu qualquer trajetória pós-piloto. O legado, no entanto, permaneceu vivo. Em 1985, o Autódromo de Interlagos, palco de sua única vitória na categoria, foi rebatizado como Autódromo José Carlos Pace em sua homenagem. Seus restos mortais, que estiveram sepultados no Cemitério do Araçá entre 1977 e 2024, foram trasladados para o próprio autódromo em 28 de agosto de 2024, em cerimônia que reuniu familiares e pilotos veteranos do automobilismo brasileiro, consolidando sua ligação eterna com a pista que o imortalizou.

Morte

No dia 18 de março de 1977, o avião monomotor pilotado por Marivaldo Fernandes, também piloto, colidiu contra uma árvore na Serra da Cantareira, em Mairiporã, após decolar do Campo de Marte no início de uma violenta tempestade. Pace e os outros quatro ocupantes morreram na hora. Entre 1977 e 2024, seus restos mortais estiveram no Cemitério do Araçá. Em 28 de agosto de 2024, foram trasladados para o Autódromo de Interlagos, em cerimônia com familiares e pilotos veteranos. Em 1985, o autódromo recebeu o nome Autódromo José Carlos Pace em sua homenagem.

Legado

O piloto que venceu a primeira edição do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, em 1975, no Autódromo de Interlagos, deu nome ao próprio palco daquela conquista. Em 1985, o circuito paulistano foi renomeado Autódromo José Carlos Pace, tornando-se um dos poucos no calendário a homenagear um piloto local. O feito, porém, não se limita à placa de entrada. Pace, que correu por March, Surtees e Brabham em 72 largadas, conquistou seis pódios e uma pole position, mas foi a vitória em casa, sob pressão, que selou sua imagem no imaginário brasileiro. Trinta e nove anos após sua morte, em agosto de 2024, seus restos mortais foram trasladados do Cemitério do Araçá para o próprio autódromo, em cerimônia com familiares e pilotos veteranos. O gesto transformou o circuito em seu memorial definitivo. Pace não construiu uma dinastia de títulos, mas deixou uma marca geográfica e afetiva: todo piloto que cruza a linha de chegada em Interlagos passa, em algum sentido, por ele.

Linha do tempo

A vida em datas

  1. 1944

    Nasce Carlos Pace

    Nascimento em São Paulo, Brazil.

    São Paulo, Brazil

  2. 1960

    Primeira corrida de kart

    Pace disputa sua primeira corrida de kart, incentivado pelos amigos Wilson e Emerson Fittipaldi.

    São Paulo, Brasil

  3. 1963

    Transição para carros

    Pace faz a transição do kart para corridas de carros, iniciando sua trajetória no automobilismo profissional.

  4. 1968

    Casamento com Elda d'Andrea

    Pace se casa com Elda d'Andrea, sua namorada de dez anos.

  5. 1972

    Estreia na Fórmula 1

  6. 1972

    Suicídio do pai

    O pai de Pace, Angelo Raphael Pace, comete suicídio devido a problemas nos negócios. Pace só é informado após conquistar seus primeiros pontos no GP da Espanha.

  7. 1975

    Primeira vitória na F1

  8. 1977

    Última corrida na F1

  9. 1977

    Falecimento

    Morre em Mairiporã.

    Mairiporã, Brazil

  10. 1985

    Autódromo batizado em sua homenagem

    O Autódromo de Interlagos é renomeado Autódromo José Carlos Pace em sua homenagem.

    São Paulo, Brasil

  11. 2024

    Traslado dos restos mortais para Interlagos

    Os restos mortais de Pace são trasladados do Cemitério do Araçá para o Autódromo de Interlagos, em cerimônia com familiares e pilotos veteranos.

    São Paulo, Brasil

Galeria

Carlos Pace Integralhelm 1975

Carlos Pace Integralhelm 1975

Auge=mit · CC BY-SA 4.0

El Grafico del 29 de Enero de 1975. Edicion 2886

El Grafico del 29 de Enero de 1975. Edicion 2886

El Gráfico · Public domain

Estatísticas

Os números

GPs disputados72
Vitórias1
Pódios6
Poles1
Voltas mais rápidas0
Pontos58
Títulos mundiais0
Melhor resultado

Pontos por temporada

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