Saint-Jean-sur-Richelieu, Canadá, 18 de janeiro de 1950. Ali, em meio ao inverno rigoroso do Quebec, nasceu Joseph Gilles Henri Villeneuve, um homem que transformaria o ato de pilotar em uma forma de arte visceral e efêmera. Em apenas seis temporadas na Fórmula 1, entre 1977 e 1982, o canadense conquistou seis vitórias e treze pódios, todos vestindo o vermelho da Ferrari, com a qual foi vice-campeão mundial em 1979. Sua pilotagem, descrita por Niki Lauda como a de “um demônio”, era feita de improviso e coragem, um espetáculo de controle no limite do impossível. Mas a mesma intensidade que o elevou ao posto de ídolo o levou embora: Gilles Villeneuve morreu em 8 de maio de 1982, aos 32 anos, em um acidente no circuito de Zolder, na Bélgica.

Villeneuve
Gilles Villeneuve
Saint-Jean-sur-Richelieu, Canadá, 18 de janeiro de 1950. Ali, em meio ao inverno rigoroso do Quebec, nasceu Joseph Gilles Henri Villeneuve, um homem que transformaria o ato de pilotar em uma forma de arte visceral e efêmera. Em apenas seis temporadas na Fórmula 1, entre 1977 e 19
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Nascimento
18 de janeiro de 1950
Saint-Jean-sur-Richelieu, Canada
Falecimento
8 de maio de 1982
Leuven, Belgium
Status atual
Falecido
Biografia
A história
Origens
Gilles Villeneuve começou a correr não nos kartódromos, mas nas estradas congeladas do Quebec. Adolescente, inscrevia seu Ford Mustang 1967 em provas locais de resistência até que, entediado, buscou a Jim Russell Racing School em Mont Tremblant para obter a licença de piloto. Na Fórmula Ford regional, pilotando o próprio carro, venceu sete de dez corridas. O dinheiro era tão escasso que ele dependia das corridas de motoneve para sobreviver – tornou-se campeão mundial de derby em 1974, e o prêmio bancou sua segunda temporada na Fórmula Atlantic. “Cada inverno, três ou quatro tombos a 160 km/h no gelo”, diria mais tarde. “Isso me ensinou controle e me fez perder o medo de correr na chuva.” Em 1976, associou-se à equipe Ecurie Canada e dominou o campeonato americano e canadense de Fórmula Atlantic, vencendo todas as provas menos uma. Repetiu o título em 1977, abrindo caminho para a Fórmula 1.
O caminho até a F1
Aos 22 anos, Gilles Villeneuve já era profissional, mas o dinheiro vinha das corridas de motonieve, não dos autódromos. Venceu o Campeonato Mundial de Derby de Motonieve em 1974 e usou o prêmio para financiar seu verdadeiro objetivo. Na Fórmula Ford regional de Quebec, com seu próprio carro, venceu sete de dez corridas. Em 1975, subiu para a Fórmula Atlantic e conquistou sua primeira vitória em Gimli, sob chuva torrencial — uma habilidade que ele atribuía aos dias sobre o gelo. A virada veio em 1976: associou-se à Ecurie Canada e ao engenheiro Ray Wardell, dominou a temporada com todas as vitórias menos uma e levou os títulos americano e canadense. Repetiu o feito em 1977. O desempenho chamou a atenção de Teddy Mayer, da McLaren, que lhe deu uma chance na Fórmula 1 ainda naquele ano. Villeneuve estreou no GP da Grã-Bretanha, em Silverstone, e largou em nono. A porta para a categoria máxima se abria.
Carreira na F1
Gilles Villeneuve estreou na Fórmula 1 em 1977 pela McLaren, mas foi ao volante da Ferrari que sua lenda se consolidou. Em 67 Grands Prix, conquistou seis vitórias, treze pódios e duas poles. Seu auge veio em 1979, quando disputou o título mundial com o companheiro de equipe Jody Scheckter, terminando como vice-campeão — a melhor colocação de sua carreira. As vitórias em Long Beach, Kyalami e Watkins Glen naquele ano exibiram uma combinação de agressividade e controle que hipnotizava o público e preocupava os adversários. Em 1981, já consolidado como o líder da escuderia italiana, venceu em Mônaco e na Espanha, pilotando com um estilo que beirava o impossível. A temporada de 1982 começou promissora, com uma vitória em Imola, mas foi interrompida de forma trágica em Zolder, na Bélgica, durante a classificação para o Grande Prêmio. Em seis temporadas, Villeneuve nunca conquistou um título, mas deixou uma marca tão profunda que a Ferrari o transformou em símbolo de sua própria alma competitiva.
Auge
Em 1979, Gilles Villeneuve atingiu o auge de sua carreira na Ferrari. Disputando o campeonato mundial lado a lado com seu companheiro de equipe Jody Scheckter, o canadense venceu três corridas naquele ano: Kyalami, Long Beach e Watkins Glen. Apesar de ter conquistado o mesmo número de vitórias que Scheckter, Villeneuve terminou como vice-campeão, quatro pontos atrás do sul-africano — um resultado que consolidou sua reputação como um dos pilotos mais rápidos e ousados do grid.
Naquela temporada, ele somou seis pódios em 15 largadas, com duas poles. Sua pilotagem agressiva e capacidade de extrair o máximo do carro em condições adversas, especialmente na chuva, tornaram-se sua marca registrada. Embora nunca tenha conquistado um título mundial, o biênio 1979-1980 foi o período de maior consistência de sua breve carreira na Fórmula 1, encerrada tragicamente em 1982.
Vida pessoal
Gilles Villeneuve casou-se com Joann Barthe, natural do Mónaco, com quem teve dois filhos: Mélanie e Jacques. A família residia em Monte Carlo, uma base comum entre pilotos da época, longe do inverno rigoroso do Quebec. Apesar da imagem de piloto arrojado e destemido, aqueles que o conheciam fora das pistas descreviam um homem de carácter sensível e afável. O seu filho, Jacques Villeneuve, seguiria os seus passos e tornar-se-ia campeão mundial de Fórmula 1 em 1997, pilotando o número 27, o mesmo que o pai imortalizou na Ferrari. O seu irmão, também chamado Jacques-Joseph Villeneuve, teve uma carreira mais modesta nas categorias de acesso e na Fórmula Indy, onde obteve uma vitória. A lealdade e o carisma de Gilles eram tais que mesmo rivais acirrados, como René Arnoux, admiravam a sua pessoa para além do competidor que era na pista.
Depois da F1
Gilles Villeneuve não teve uma carreira pós-Fórmula 1. Sua trajetória foi tragicamente interrompida em 8 de maio de 1982, durante o treino classificatório para o Grande Prêmio da Bélgica, em Zolder. Após colidir com o March de Jochen Mass, o canadense foi arremessado a mais de 50 metros dos destroços, sofrendo uma fratura fatal no pescoço. Ele tinha 32 anos. O legado, no entanto, continuou através de sua família. Seu filho, Jacques Villeneuve, tornou-se campeão mundial de Fórmula 1 em 1997, pilotando o icônico número 27 – o mesmo usado pelo pai em suas últimas temporadas na Ferrari. O irmão de Gilles, Jacques-Joseph Villeneuve, também tentou a sorte na categoria, mas não conseguiu se classificar para três GPs, obtendo sucesso moderado na Fórmula Indy, onde venceu uma prova. A comoção causada por sua morte, comparável apenas à de Ayrton Senna doze anos depois, consolidou sua imagem de piloto veloz e leal, admirado até por seus maiores rivais.
Morte
No dia 8 de maio de 1982, Gilles Villeneuve morreu após um acidente durante a sessão de qualificação final para o Grande Prêmio da Bélgica, em Zolder. Com oito minutos restantes, o canadense, que estava usando seu último jogo de pneus de classificação, encontrou o March de Jochen Mass em velocidade mais lenta. Mass virou à direita para deixá-lo passar; no mesmo instante, Villeneuve também virou para a direita para ultrapassá-lo. A Ferrari bateu na traseira do March e foi lançada a cerca de 220 km/h, voando por 100 metros antes de se desintegrar. Villeneuve, ainda preso ao assento, mas sem o capacete, foi arremessado por mais de 50 metros. John Watson e Derek Warwick o puxaram para fora da cerca de proteção. O primeiro médico chegou em 35 segundos: Villeneuve não respirava, mas tinha pulso. Transferido de helicóptero para Lovaina, uma fratura fatal no pescoço foi diagnosticada. Mantido em suporte vital até a chegada de sua esposa, foi declarado morto às 21h12. Uma investigação concluiu que um erro de Villeneuve causou o choque, isentando Mass de responsabilidade. Dois meses depois, a seleção italiana de futebol dedicou a ele sua vitória na Copa do Mundo de 1982.
Legado
Seis vitórias, treze pódios e duas poles em 68 GPs. Os números de Gilles Villeneuve na Fórmula 1 não contam a história completa. No funeral em Berthierville, o ex-companheiro Jody Scheckter disse: “Ele era o piloto mais rápido que a história já conheceu”. Niki Lauda o chamou de “o diabo mais louco que já vi na F1”, acrescentando que seu lado sensível e amável o tornava único.
O legado de Villeneuve é palpável. Em Montreal, o circuito da Ilha Notre-Dame foi renomeado em sua homenagem ainda em 1982, com a inscrição “Salut Gilles” pintada na linha de largada. Em Imola, uma curva leva seu nome e a bandeira canadense marca o terceiro lugar no grid, de onde ele largou em sua última corrida. Em Zolder, a curva onde morreu foi transformada em uma chicane batizada com seu nome. Um busto de bronze fica na entrada da pista de testes da Ferrari em Fiorano.
O número 27, de sua Ferrari, segue associado a ele. Seu filho, Jacques, venceu as 500 Milhas de Indianápolis e o título da IndyCar com esse número. Villeneuve foi introduzido no Hall da Fama do Esporte do Canadá em 1983 e no Hall da Fama do Automobilismo Canadense em 1993. Em 1997, os Correios do Canadá emitiram um selo em sua homenagem.
Linha do tempo
A vida em datas
1950
Nasce Gilles Villeneuve
Nascimento em Saint-Jean-sur-Richelieu, Canada.
Saint-Jean-sur-Richelieu, Canada
1973
Campeão da Fórmula Ford de Quebec
Vence o Campeonato de Quebec de Fórmula Ford em 1973, pilotando seu próprio carro e ganhando sete das dez corridas.
1974
Campeão Mundial de Derby de Motonieve
Vence o Campeonato Mundial de Derby de Motonieve em 1974, o que lhe proporcionou renda significativa no início de sua carreira.
1975
Primeira vitória na Fórmula Atlantic
Conquista sua primeira vitória na Fórmula Atlantic em 1975, no Gimli Motorsport Park, sob forte chuva.
Gimli, Canadá
1976
Campeão da Fórmula Atlantic (EUA e Canadá)
Domina a temporada de 1976 da Fórmula Atlantic, vencendo todas as corridas exceto uma e conquistando os títulos americano e canadense.
1977
Bicampeão da Fórmula Atlantic
Vence novamente o campeonato da Fórmula Atlantic em 1977, garantindo seu segundo título consecutivo.
1977
Estreia na Fórmula 1
1978
Primeira vitória na F1
1982
Falecimento
Morre em Leuven.
Leuven, Belgium
1982
Acidente fatal em Zolder
Morre após um acidente durante a sessão de qualificação final para o Grande Prêmio da Bélgica em Zolder, ao colidir com o carro de Jochen Mass.
Zolder, Bélgica
1982
Última corrida na F1
1983
Inclusão no Hall da Fama do Esporte Canadense
É incluído no Canada's Sports Hall of Fame em 1983, em reconhecimento às suas contribuições ao automobilismo.
1992
Inauguração do Museu Gilles Villeneuve
Um museu dedicado a Gilles Villeneuve é aberto em Berthierville, sua cidade natal, em 1992.
Berthierville, Canadá
1993
Inclusão no Hall da Fama do Automobilismo Canadense
É incluído no Canadian Motorsport Hall of Fame em sua cerimônia inaugural, no Four Seasons Hotel em Toronto.
Toronto, Canadá
1997
Selo postal em sua homenagem
O Canadá emite um selo postal em homenagem a Gilles Villeneuve em junho de 1997.
Galeria
Em imagens

L'emplacement de la pole position sur le circuit de Gilles Villeneuve de Montréal, avec une inscription supplémentaire en l'honneur du hockeyeur Guy Lafleur.
Jmex · CC BY-SA 4.0
Estatísticas
Os números
Pontos por temporada
Todos os GPs
Família
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- Jacques Villeneuve
- Irmão
- Gilles Villeneuve
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