Roberto Moreno largou na frente de Nelson Piquet e Alan Jones na Austrália em 1981, venceu com uma volta de vantagem e, ainda assim, precisaria esperar quase uma década para se firmar na Fórmula 1. Nascido no Rio de Janeiro em 1959 e criado em Brasília, o brasileiro construiu uma carreira de persistência improvável: campeão mundial de Fórmula Ford, vencedor do GP de Macau, vice-campeão de F-2 e, por fim, campeão de F-3000 antes de chegar ao grid de forma permanente em 1989. Em 75 GPs, somou 15 pontos e um pódio — o terceiro lugar no GP do Japão de 1990 pela Benetton. Mas seu nome ficou marcado menos pelos números do que pela resiliência de quem, mesmo após substituir Nigel Mansell na Lotus e não se classificar, continuou abrindo caminho onde o dinheiro e a sorte insistiam em faltar.

Moreno
Roberto Moreno
Roberto Moreno largou na frente de Nelson Piquet e Alan Jones na Austrália em 1981, venceu com uma volta de vantagem e, ainda assim, precisaria esperar quase uma década para se firmar na Fórmula 1. Nascido no Rio de Janeiro em 1959 e criado em Brasília, o brasileiro construiu uma
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Nascimento
11 de fevereiro de 1959
Rio de Janeiro, Brazil
Status atual
Vivo
Biografia
A história
Origens
Começou no kart em 1974, aos 15 anos, e foi campeão brasiliense na mesma temporada. Nascido em família de classe média no Rio de Janeiro, mas radicado desde a infância em Brasília, financiou os primeiros anos de carreira trabalhando como preparador de motores para adversários. Em 1976 conquistou o brasileiro de 125cc, meses antes de sofrer um grave acidente de motocicleta que lhe custou quase dois anos de competição. De volta em 1979, comprou um carro próprio e correu esporadicamente na Fórmula Ford britânica, terminando o campeonato P&O em sexto, com duas vitórias, e sendo eleito a revelação do ano. No ano seguinte, como piloto oficial da Van Diemen, venceu o prestigiado campeonato Townsend-Thoresen e o festival mundial da categoria, disputado por quase duzentos pilotos, além de ser vice-campeão europeu.
O caminho até a F1
Em 1979, com um orçamento tão enxuto que precisou comprar o próprio carro, Roberto Moreno estreou na Fórmula Ford britânica. Correu de forma esporádica, mas o suficiente para ser eleito a revelação do ano, com duas vitórias e um sexto lugar no campeonato P&O. No ano seguinte, como piloto oficial da Van Diemen, foi campeão do prestigiado Townsend-Thoresen e venceu o festival mundial da categoria contra quase duzentos pilotos. Vice-campeão europeu, mesmo tendo perdido uma etapa.
Em 1981, a persistência virou obstáculo. Sem dinheiro, assinou um “contrato de gaveta” como piloto de testes da Lotus para poder correr na F-3. Estreou na sétima corrida do ano por uma equipe que tinha um mecânico só. Venceu a quarta prova que disputou, em Silverstone, à frente de 34 carros. No fim do ano, foi convidado para o GP da Austrália, em Calder Park, contra os campeões mundiais Nelson Piquet e Alan Jones. Com carros de Fórmula Pacific, Moreno fez a pole, a melhor volta e venceu com uma volta de vantagem sobre Piquet.
A chance na F1 veio em 1982, quando substituiu Nigel Mansell, machucado, no GP da Holanda pela Lotus. Sem experiência com carros-asa e sem condicionamento físico, não se classificou. O episódio atrasou sua carreira em cinco anos. Mesmo assim, encerrou 1982 vencendo o GP de Macau. Em 1983, dominou a F-Atlantic na América do Norte, vencendo quatro de oito corridas, perdendo o título para Michael Andretti por falhas mecânicas. Voltou à Europa em 1984 para a F-2, onde foi vice-campeão. O caminho até a F1, enfim, estava pavimentado.
Carreira na F1
Roberto Moreno estreou na Fórmula 1 em 1987, aos 28 anos, pilotando para a modesta equipe AGS. Sua passagem pela categoria, que se estendeu até 1995, foi marcada por uma trajetória errática, com 43 largadas e apenas um pódio. Em 1989, já campeão da Fórmula 3000, ele finalmente conseguiu um assento competitivo, substituindo Johnny Herbert na Benetton. Foi nesse carro, o B189, que Moreno conquistou seu momento mais brilhante: um terceiro lugar no Grande Prêmio do Japão de 1989, em Suzuka, resultado que lhe rendeu um contrato para a temporada seguinte. No entanto, 1990 foi um ano de contrastes. Ao lado do tricampeão Nelson Piquet, Moreno lutou para igualar o ritmo do compatriota e, após o GP da Bélgica, foi dispensado para dar lugar a Alessandro Nannini. O restante de sua carreira na F1 foi uma peregrinação por equipes do fundo do grid — Jordan, Minardi, a desastrosa Andrea Moda e, por fim, a Forti, em 1995. Seu último ano na categoria foi também o mais inglório: em 21 tentativas, ele sequer conseguiu classificar o carro para a corrida em 14 ocasiões. Apesar do talento inegável que o levou ao pódio, Moreno nunca mais teve a máquina necessária para repetir o feito.
Auge
O piloto brasileiro não teve um período de domínio estatístico claro na Fórmula 1. Sua carreira na categoria foi marcada por oportunidades intermitentes em equipes de meio de pelotão, com um total de 43 largadas entre 1987 e 1995. O ponto mais alto foi um terceiro lugar no Grande Prêmio do Japão de 1991, pela Jordan, que lhe rendeu o único pódio e 15 pontos na carreira. Antes disso, em 1990, ele havia substituído Alessandro Nannini na Benetton após o acidente de helicóptero do italiano, marcando pontos em três das quatro corridas que disputou. No entanto, a falta de consistência de resultados e a alternância entre equipes como Coloni, Euro Brun e Minardi impedem a definição de um pico de duas a quatro temporadas de supremacia. Sua trajetória na F1 foi a de um talento que, apesar de vencer o campeonato de Fórmula 3000 em 1988, nunca encontrou o carro e o momento para transformar potencial em domínio prolongado.
Vida pessoal
Nascido no Rio de Janeiro, mas criado em Brasília desde a infância, Roberto Moreno construiu sua carreira com a persistência de quem aprendeu cedo a superar obstáculos. De família de classe média, ele mesmo financiava os primeiros anos de competição trabalhando como preparador de motores para seus próprios adversários. Essa independência prática e a capacidade de reconstruir-se após um grave acidente de motocicleta em 1976, que lhe custou dois anos de carreira, definem sua trajetória.
Fora das pistas, Moreno encontrou outra paixão: a aviação. O ex-piloto dedica-se à construção de aeronaves leves, um hobby que exige a mesma precisão e paciência que ele demonstrava ao volante. Atualmente, ele atua como coach e consultor de pilotagem, uma função que ocupa grande parte de seu tempo, embora ainda não se considere oficialmente aposentado, participando frequentemente de eventos históricos. Sua vida, entre o chão de fábrica e o céu, reflete um homem que nunca parou de construir – motores, carreiras e, agora, aviões.
Depois da F1
Após deixar a Fórmula 1 em 1995, Roberto Moreno retornou à CART, onde viveu um verdadeiro renascimento. Entre 2000 e 2001, já com mais de 40 anos, alcançou os melhores resultados de sua carreira na categoria, conquistando duas vitórias e subindo ao pódio em 12 ocasiões. Estendeu sua passagem pela CART até 2008, pilotando por equipes como Newman-Haas e Patrick Racing. Paralelamente, manteve-se ativo em corridas de endurance e competições de GT no Brasil. Longe das pistas, Moreno trabalha como instrutor e consultor de pilotos, além de participar de eventos históricos com frequência. Em seus momentos de lazer, dedica-se à construção de aeronaves leves, um hobby que cultiva há anos.
Onde está hoje
Roberto Moreno não está oficialmente aposentado. Grande parte do seu tempo é dedicada ao trabalho como instrutor de pilotagem e consultor, função que exerce com discrição, mas que o mantém conectado ao mundo do automobilismo. Nas horas vagas, ele se dedica a um hobby incomum e meticuloso: a construção de aviões leves. Além disso, participa de eventos históricos, pilotando máquinas do passado e mantendo vivo o vínculo com as pistas, sem a pressão da competição profissional.
Legado
Apenas uma vez, no caótico GP do Japão de 1990, Roberto Moreno subiu ao pódio da Fórmula 1, um terceiro lugar que resume a distância entre seu talento e as oportunidades que teve. Aquele foi o único topo entre 43 largadas, com oito equipes diferentes – muitas delas lutando para existir, como a Andrea Moda e a Forti. Mais revelador, porém, é o que ele fez fora da F1: campeão da Fórmula 3000 em 1988, venceu duas vezes e conquistou doze pódios na CART, onde viveu um auge tardio entre 2000 e 2001, já aos 41 anos. No Brasil, sua persistência é lembrada como um exemplo de como o talento pode sobreviver à falta de recursos. Moreno não quebrou recordes nem fundou uma dinastia, mas sua trajetória – do kart financiado como mecânico ao pódio em Suzuka – permanece como um retrato honesto de uma era em que pilotos extraordinários precisavam ser também extraordinariamente resilientes.
Linha do tempo
A vida em datas
1959
Nasce Roberto Moreno
Nascimento em Rio de Janeiro, Brazil.
Rio de Janeiro, Brazil
1974
Início no kart
Começou no kart aos 15 anos de idade, sendo campeão brasiliense na mesma temporada.
Brasília, Brasil
1976
Acidente grave de motocicleta
Sofre um grave acidente de motocicleta meses após conquistar o campeonato brasileiro de kart 125cc, que roubou praticamente dois anos de sua carreira.
1982
Vitória no GP de Macau
Vence o prestigiado GP de Macau no circuito da Guia, na última edição disputada com carros de Fórmula Pacific.
Macau, Macau
1987
Estreia na Fórmula 1
1988
Campeão da Fórmula 3000
Conquista o título da Fórmula 3000, tornando-se o primeiro piloto brasileiro campeão da categoria. Quebra diversos recordes durante a campanha.
1988
Piloto de testes da Ferrari
Convidado pela Ferrari a ser piloto de testes, desenvolve durante 55 dias o câmbio semi-automático de acionamento no volante que estrearia vitorioso no GP do Brasil de 1989.
Maranello, Itália
1993
Cirurgia de recuperação
Submete-se a uma cirurgia e passa o ano de 1993 se recuperando fisicamente enquanto defende a Alfa Romeo em campeonatos de turismo.
1995
Última corrida na F1
1996
Retorno à CART
Retorna à CART após o fim de sua carreira na Fórmula 1, onde competiria até 2008, com destaque para as temporadas de 2000 e 2001.
2008
Fim da carreira na CART
Encerra sua carreira na CART após a temporada de 2008, aos 49 anos, tendo competido na série por mais de uma década após retornar da Fórmula 1.
Galeria
Em imagens

Grand Pris van Nederland te Zandvoort; koppen coureurs, Roberto Moreno.
Hans van Dijk for Anefo / neg. stroken, 1945-1989, 2.24.01.05, item number 932-2372 · CC BY-SA 3.0 nl

Roberto Moreno - Herdez Competition turns into Druids at the 2003 Champcar London Trophy race
Martin Lee from London, UK · CC BY-SA 2.0

Coloni C3 (1989) / Fahrer: Roberto Moreno (BRA)
Auge=mit · CC BY-SA 4.0
Estatísticas
Os números
Pontos por temporada
Todos os GPs
Onde está hoje
A vida hoje
coaching
driver coach and consultant
Trabalha como instrutor de pilotagem e consultor, dedicando grande parte do seu tempo a essa atividade.
en.wikipedia.orgracing
historic racing driver
Participa de eventos históricos de automobilismo, não estando oficialmente aposentado das pistas.
en.wikipedia.orgother
light aircraft builder
Nas horas vagas, dedica-se à construção de aviões leves como hobby.
en.wikipedia.org
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