Turim, 30 de outubro de 1906. Nino Farina nasceu em uma família de mecânicos e carroceiros, mas foi atrás do volante que ele escreveu seu nome na história. Em 1950, no primeiro campeonato mundial de Fórmula 1, o italiano guiou uma Alfa Romeo 158 para conquistar o título inaugural. Foram cinco vitórias em 34 largadas, 19 pódios e cinco poles ao longo de sete temporadas, sempre com a fúria controlada de quem sabia que a velocidade era um ofício. Depois de correr pela Ferrari, pendurou o capacete em 1955. Onze anos mais tarde, a estrada o levou de volta – não como piloto, mas como conselheiro de cinema. Morreu em um acidente de carro a caminho do GP da França de 1966, aos 59 anos.
Farina
Nino Farina
Turim, 30 de outubro de 1906. Nino Farina nasceu em uma família de mecânicos e carroceiros, mas foi atrás do volante que ele escreveu seu nome na história. Em 1950, no primeiro campeonato mundial de Fórmula 1, o italiano guiou uma Alfa Romeo 158 para conquistar o título inaugural
Nascimento
30 de outubro de 1906
Status atual
Vivo
Biografia
A história
Origens
Turim, 30 de outubro de 1906. Nino Farina nasceu em uma família profundamente ligada à indústria automotiva italiana. Seu pai, Giovanni Farina, fundou a Carrozzeria Farina, uma prestigiada oficina de carrocerias em Turim. Foi nesse ambiente de metal, motores e design que o jovem Giuseppe – apelidado de Nino – teve seu primeiro contato com o mundo dos automóveis. A oficina da família não apenas lhe deu familiaridade com máquinas, mas também acesso a um dos círculos mais influentes da engenharia automotiva italiana.
A paixão pela velocidade, no entanto, não se manifestou imediatamente nas pistas. Farina formou-se em engenharia pela Universidade de Turim antes de se dedicar às corridas. Seu tio, Battista “Pinin” Farina, viria a fundar a famosa Pininfarina, consolidando o sobrenome como sinônimo de design automotivo. A transição para o automobilismo aconteceu já na idade adulta, quando Farina começou a competir em provas de subida de montanha e corridas de resistência no final dos anos 1930, pilotando Alfa Romeos. Essa combinação de formação técnica e berço automotivo fez dele um piloto analítico, capaz de compreender o carro tanto quanto pilotá-lo.
O caminho até a F1
O campeonato europeu de automobilismo, nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial, foi o laboratório onde Nino Farina forjou o estilo agressivo que o levaria à Fórmula 1. Antes de chegar ao topo, ele acumulou resultados expressivos nas categorias de base: foi campeão italiano de subida de montanha em 1937 e, no ano seguinte, conquistou o prestigioso título do Campeonato Europeu de Pilotos, pilotando pela Alfa Romeo. A guerra interrompeu sua trajetória, mas, quando a competição retomou, Farina estava pronto. Em 1948, venceu o Grande Prêmio de Mônaco, uma prova de Fórmula 1 que ainda não era válida pelo campeonato mundial, mas que já sinalizava seu potencial. A vitória, combinada com seu desempenho consistente em corridas de Fórmula 2 e em provas de turismo, abriu as portas para a Alfa Romeo na temporada inaugural do Campeonato Mundial de Fórmula 1, em 1950. Aos 43 anos, ele se tornaria o primeiro campeão mundial da história.
Carreira na F1
Nino Farina disputou 34 corridas de Fórmula 1 entre 1950 e 1955, vencendo cinco delas e subindo ao pódio 19 vezes. Na temporada de estreia da categoria, pilotando pela Alfa Romeo, tornou-se o primeiro campeão mundial da história, acumulando três vitórias e quatro poles. A conquista consolidou seu nome nos livros do esporte, mas sua trajetória foi curta: após uma transição para a Ferrari em 1953, não repetiu o mesmo domínio. Em 1955, disputou sua última temporada completa, encerrando a carreira com cinco poles e um título.
Auge
O campeonato inaugural de 1950 foi o auge absoluto de Nino Farina. Aos 43 anos, o italiano pilotou o Alfa Romeo 158 com uma autoridade que beirava a implacabilidade: venceu a primeira corrida da história da Fórmula 1, o GP da Grã-Bretanha em Silverstone, e somou mais dois triunfos na Suíça e em Monza. Foram 3 vitórias em 7 corridas, 5 pódios e 3 poles, números que lhe garantiram o título com 30 pontos, três à frente de Juan Manuel Fangio. A temporada foi um domínio tão claro que Farina jamais repetiria aquele brilho. Em 1951, com a Alfa Romeo ainda competitiva, ele venceu apenas uma vez (Bélgica) e terminou em quarto no campeonato. Nos anos seguintes, já na Ferrari, seu melhor resultado foi um terceiro lugar em 1953. O pico durou uma única estação, mas foi suficiente para inscrever seu nome como o primeiro campeão mundial da categoria.
Vida pessoal
Nino Farina, o primeiro campeão mundial de Fórmula 1, era conhecido por sua personalidade elegante e reservada, contrastando com a agressividade que mostrava nas pistas. Filho de um rico construtor de carrocerias de Turim, Giovanni Farina, e sobrinho do lendário projetista Battista “Pinin” Farina, ele cresceu em um ambiente onde automóveis eram arte e negócio. Casou-se com Elsa, com quem teve dois filhos, Giuseppe e Anna. A família residia principalmente em Turim, onde Farina administrava suas concessionárias Alfa Romeo e Jaguar após se aposentar das corridas. Fora do automobilismo, era um apreciador de boa comida e vinho, e frequentemente participava de eventos sociais da alta sociedade italiana. Sua relação com o tio Pininfarina o levou a atuar como consultor na fábrica de design, unindo sua paixão por carros à tradição familiar. Farina também cultivava um hobby inusitado: pilotar aeronaves leves, uma atividade que refletia seu gosto por velocidade e precisão. Apesar da fama, mantinha um círculo social fechado, preferindo a companhia de familiares e poucos amigos íntimos do meio automotivo.
Depois da F1
Após pendurar o capacete ao final de 1955, Farina não se afastou do automóvel. Envolveu-se na distribuição de Alfa Romeo e Jaguar na Itália e, mais tarde, passou a colaborar com a fábrica da Pininfarina, onde seu tio Battista era presidente. A ligação com o cinema também surgiu: foi convidado para ser conselheiro técnico e dublê de direção do ator Yves Montand no filme Grand Prix (1966), que narrava o universo da Fórmula 1. Farina interpretaria um ex-campeão mundial nas telas, mas nunca veria o resultado. A caminho do Grande Prêmio da França de 1966, nos Alpes da Saboia, perdeu o controle de seu Lotus Cortina, bateu num poste telegráfico e morreu na hora. Tinha 59 anos.
Onde está hoje
Legado
Nino Farina carrega um título que nenhum outro piloto poderá reivindicar: o de primeiro campeão mundial de Fórmula 1. A conquista, em 1950, aos 43 anos, o tornou o vencedor mais velho de uma temporada inaugural, um recorde de longevidade que permanece como curiosidade histórica. Em 34 largadas, acumulou cinco vitórias e 19 pódios, números que, para a época, consolidaram sua imagem como um dos nomes centrais da transição dos grandes prêmios pré-guerra para o campeonato mundial. Sua influência, no entanto, não se limitou às estatísticas. Farina foi ponte entre duas eras: trouxe para a Fórmula 1 a experiência acumulada nas corridas de resistência e nos circuitos de estrada italianos, onde já era conhecido antes mesmo de existir um campeonato para vencer. Sua morte trágica, a caminho do GP da França de 1966, enquanto servia como consultor e dublê de Yves Montand no filme Grand Prix, selou sua imagem como uma figura que pertenceu tanto ao automobilismo quanto ao imaginário cinematográfico do esporte. Hoje, seu nome é evocado sempre que se fala da primeira página do livro da Fórmula 1.
Linha do tempo
A vida em datas
1906
Nasce Nino Farina
1950
Estreia na Fórmula 1
1950
Primeira vitória na F1
1950
Campeão mundial de 1950
1955
Última corrida na F1
1956
Envolvimento com distribuidoras Alfa Romeo e Jaguar
Após se aposentar da Fórmula 1, Farina se envolve com distribuidoras da Alfa Romeo e Jaguar e posteriormente auxilia na fábrica da Pininfarina.
1966
Acidente fatal nos Alpes da Saboia
No caminho para o GP da França de 1966, Farina perde o controle de seu Lotus Cortina nos Alpes da Saboia, perto de Aiguebelle, bate em um poste telegráfico e morre instantaneamente. Ele estava a caminho para assistir à corrida e participar das filmagens do filme Grand Prix como consultor e dublê de direção do ator Yves Montand.
Aiguebelle, França
Estatísticas
Os números
Pontos por temporada
Todos os GPs
Pilotos relacionados








