Milan, 13 de julho de 1918. Filho de um asso do automobilismo dos anos 1920, Alberto Ascari carregava o peso de um sobrenome trágico – seu pai, Antonio, morrera em uma corrida quando o menino tinha seis anos. Ascari não apenas superou a sombra: tornou-se o primeiro bicampeão mundial consecutivo da Fórmula 1, dominando o grid com a Ferrari vermelha em 1952 e 1953. Foram 13 vitórias e 14 poles em apenas 32 largadas, números que o colocaram como o principal rival de Juan Manuel Fangio. Sua morte precoce, aos 36 anos, em um teste em Monza, encerrou uma trajetória que muitos, como Mario Andretti, julgam superior à do próprio argentino.

Ascari
Alberto Ascari
Milan, 13 de julho de 1918. Filho de um asso do automobilismo dos anos 1920, Alberto Ascari carregava o peso de um sobrenome trágico – seu pai, Antonio, morrera em uma corrida quando o menino tinha seis anos. Ascari não apenas superou a sombra: tornou-se o primeiro bicampeão mund
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Nascimento
13 de julho de 1918
Milan, Italy
Falecimento
26 de maio de 1955
Monza, Italy
Status atual
Falecido
Biografia
A história
Origens
Milanês de nascimento, Alberto Ascari veio ao mundo em 13 de julho de 1918, filho de Antonio Ascari, estrela dos Grandes Prêmios nos anos 1920 a bordo das Alfa Romeo. Quinze dias antes de Alberto completar sete anos, o pai morreu enquanto liderava o GP da França de 1925, em Montlhéry. A tragédia não afastou o filho do volante. Ao contrário: tamanha era sua paixão por seguir os passos do pai que fugiu da escola duas vezes e vendeu os próprios livros para financiar o início no automobilismo.
Antes dos carros, vieram as motos. Aos 19 anos, Ascari assinou com a equipe Bianchi. A transição para as quatro rodas aconteceu em 1940, quando disputou a Mille Miglia a bordo de um Auto Avio Costruzioni 815 fornecido por Enzo Ferrari, amigo próximo de seu pai. Sobre essa vocação precoce, Ascari resumiu certa vez: “Obedeço a uma única paixão, a corrida. Não saberia viver sem ela.” No mesmo ano, casou-se com uma moça local. Durante a Segunda Guerra, a garagem da família foi requisitada para servir veículos militares, e Ascari, ao lado do também piloto Luigi Villoresi, montou um lucrativo negócio de transporte de combustível para depósitos do exército no Norte da África. A dupla sobreviveu ao naufrágio de um navio que transportava seus caminhões no porto de Trípoli.
O caminho até a F1
Antes de chegar à Fórmula 1, Alberto Ascari construiu sua reputação sobre duas rodas. Aos 19 anos, assinou com a equipe Bianchi para correr de motocicleta, mas o fascínio pelos carros de corrida, herdado do pai Antonio — morto em 1925 enquanto liderava o GP da França —, falava mais alto. Em 1940, o caminho se abriu: Enzo Ferrari, amigo próximo de seu pai, forneceu-lhe um Auto Avio Costruzioni 815 para disputar a Mille Miglia. Foi o primeiro passo sobre quatro rodas.
A Segunda Guerra interrompeu a carreira, mas não a ambição. Ascari e o companheiro Luigi Villoresi mantiveram-se ativos com um negócio de transporte de combustível para o exército italiano no Norte da África, sobrevivendo até ao naufrágio de um navio carregado de caminhões no porto de Trípoli. Findo o conflito, a dupla retomou as corridas. Ascari dominou o cenário europeu de monopostos no final dos anos 1940, vencendo corridas não válidas pelo campeonato e chamando a atenção da Scuderia Ferrari. Quando a Fórmula 1 foi oficialmente criada em 1950, ele já era um nome temido — e estava pronto para a estreia.
Carreira na F1
Em 1950, quando o campeonato mundial de Fórmula 1 foi criado, Ascari já era um nome estabelecido nas provas de Grand Prix, mas foi na Scuderia Ferrari que sua carreira explodiu. Após um primeiro ano de aprendizado, ele se tornou o primeiro piloto a vencer dois títulos consecutivos, em 1952 e 1953, dominando a categoria com uma sequência de nove vitórias seguidas – um recorde que permaneceria por décadas. Em 32 largadas, conquistou 13 vitórias, 17 pódios e 14 poles, uma taxa de aproveitamento que o coloca entre os mais eficientes da história. Sua rivalidade com Juan Manuel Fangio definiu a primeira metade da década; juntos, lideraram 66,6% das 2.508 voltas disputadas entre 1950 e 1955. Em 1954, mudou-se para a Lancia, onde venceu a Mille Miglia, mas o carro nunca atingiu o potencial esperado na F1. Sua última prova foi o GP de Mônaco de 1955, onde um acidente espetacular o lançou ao porto. Quatro dias depois, ele morreria em Monza.
Auge
O campeonato mundial de Fórmula 1 começou em 1950, mas foi entre 1952 e 1953 que Alberto Ascari impôs um domínio que a categoria ainda não havia visto. Pilotando a Ferrari 500, um carro de quatro cilindros que se tornou uma máquina de vencer, Ascari venceu nove corridas consecutivas – um recorde que permaneceria por décadas. Em 1952, ele conquistou o título com seis vitórias em oito corridas, uma sequência avassaladora que incluiu o Grande Prêmio da Bélgica, França e Alemanha. No ano seguinte, repetiu a dose: cinco vitórias em nove etapas, garantindo o bicampeonato com uma rodada de antecedência. Foram 13 vitórias em 32 largadas na carreira, 14 poles e 17 pódios. Ascari tornou-se o primeiro bicampeão mundial da história e o primeiro a vencer títulos consecutivos pela Ferrari – feito que só seria repetido por Michael Schumacher décadas depois. Sua porcentagem de vitórias, 40,6%, era assustadora. Nenhum piloto, antes ou depois, havia dominado tão completamente uma era curta da Fórmula 1.
Vida pessoal
Nascido em Milão em 1918, Alberto Ascari carregava desde a infância o peso e o fascínio de um sobrenome ligado às corridas. Seu pai, Antonio Ascari, era uma estrela dos Grandes Prêmios nos anos 1920, morto em um acidente durante o GP da França de 1925, quando Alberto tinha apenas sete anos. A paixão pelo automobilismo, no entanto, não diminuiu: ele fugiu da escola duas vezes e vendeu seus livros para financiar os primeiros passos no esporte. Antes dos carros, Ascari competiu em motocicletas pela equipe Bianchi. Casou-se em 1940 com Mietta, com quem teve dois filhos. Durante a Segunda Guerra Mundial, administrou a garagem da família, que foi requisitada para servir veículos militares italianos. Em parceria com o amigo e também piloto Luigi Villoresi, montou um lucrativo negócio de transporte de combustível para depósitos do exército no Norte da África, o que os isentou do serviço militar. Os dois sobreviveram ao naufrágio de um navio que transportava seus caminhões no porto de Trípoli. Três dias antes de sua própria morte, em 1955, Ascari confessou a um amigo: “Nunca quero que meus filhos se apeguem demais a mim, porque um dia posso não voltar e eles sofrerão menos se eu não voltar.”
Depois da F1
Após o fim de sua carreira na Fórmula 1, Ascari manteve-se ativo nas provas de endurance. Em 1954, já fora da Ferrari, venceu a Mille Miglia ao volante de um Lancia, uma das provas mais prestigiosas do calendário. No ano seguinte, continuava a competir em corridas de longa duração, mas seu envolvimento com o automobilismo foi abruptamente interrompido. Sua morte, em 26 de maio de 1955, durante um teste em Monza, é frequentemente apontada como um dos fatores que levaram a Lancia a se retirar do automobilismo três dias após seu funeral, entregando seus carros, pilotos e peças à Ferrari. Ascari não viveu para ver uma carreira pós-F1; sua trajetória foi encerrada no auge, aos 36 anos, deixando um legado de dois títulos mundiais e a imagem de um dos pilotos mais completos de sua geração.
Morte
Aos 36 anos, Alberto Ascari morreu no dia 26 de maio de 1955, no Autódromo Nacional de Monza, durante um teste não programado. Apenas quatro dias antes, ele sobrevivera a um espetacular acidente em Mônaco, onde seu carro mergulhou no porto. Em Monza, foi assistir ao amigo Eugenio Castellotti testar uma Ferrari 750 Monza, mas decidiu dar algumas voltas. Vestindo roupas de rua e o capacete branco de Castellotti, e não seu habitual azul da sorte, ele perdeu o controle do carro na Curva del Vialone. O veículo derrapou, capotou duas vezes e o arremessou na pista. Ascari sofreu múltiplos ferimentos e morreu minutos depois. As circunstâncias exatas do acidente nunca foram totalmente esclarecidas. O local foi rebatizado como Variante Ascari em sua homenagem. Seu funeral reuniu mais de um milhão de pessoas nas ruas de Milão. Foi sepultado no Cemitério Monumental de Milão, ao lado do túmulo de seu pai, Antonio Ascari. Sua morte também é apontada como um dos fatores que levaram a Lancia a se retirar da Fórmula 1 três dias após o funeral.
Legado
Alberto Ascari está enterrado no Cimitero Monumentale de Milão, ao lado do túmulo do pai, Antonio. Sua influência, porém, se espalha por asfalto e concreto. Em Monza, a chicane que leva seu nome, a Variante Ascari, substituiu a curva onde ele morreu. Na Argentina, o Autódromo Oscar y Juan Gálvez também batizou uma chicane em sua homenagem, e uma rua em Roma carrega seu nome. Em 1992, foi incluído no International Motorsports Hall of Fame, e em 2017, no Hall da Fama da FIA.
Ascari venceu 47 das 56 corridas internacionais de que participou, um índice de vitórias que alimenta o debate sobre seu lugar na história. Embora Juan Manuel Fangio seja frequentemente considerado o maior, alguns, como Mario Andretti, colocam Ascari acima do argentino. A revista inglesa Times o elegeu o 11º melhor piloto de F1 de todos os tempos. Sua rivalidade com Fangio dominou a categoria: em 37 GPs, um dos dois liderou ao menos uma volta em 35 deles. Seu estilo preciso e sua modéstia fizeram dele uma figura admirada por rivais e fãs, um legado que o fabricante inglês Ascari Cars, fundado em 1994, também homenageia no nome.
Linha do tempo
A vida em datas
1918
Nasce Alberto Ascari
Nascimento em Milan, Italy.
Milan, Italy
1940
Início nas corridas de quatro rodas
Ascari entra na prestigiada Mille Miglia com um Auto Avio Costruzioni 815 fornecido por Enzo Ferrari, começando a correr regularmente de carro.
1940
Casamento com Mietta
Alberto Ascari se casa com uma moça local chamada Mietta.
1941
Naufrágio em Trípoli
Ascari e Villoresi sobrevivem ao naufrágio de um navio que transportava caminhões no porto de Trípoli.
Trípoli, Líbia
1941
Negócio de transporte na guerra
Durante a Segunda Guerra Mundial, Ascari e Luigi Villoresi estabelecem um lucrativo negócio de transporte, fornecendo combustível para depósitos do exército no Norte da África.
Trípoli, Líbia
1950
Estreia na Fórmula 1
1951
Primeira vitória na F1
1952
Campeão mundial de 1952
1953
Campeão mundial de 1953
1954
Vitória na Mille Miglia
Ascari vence a Mille Miglia de 1954 com a Lancia.
Bréscia, Itália
1955
Acidente em Mônaco
Ascari sofre um espetacular acidente no GP de Mônaco, batendo dentro do porto depois de passar por uma chicane.
Monte Carlo, Mônaco
1955
Última corrida na F1
1955
Falecimento
Morre em Monza.
Monza, Italy
1992
International Motorsports Hall of Fame
Alberto Ascari é indicado para o International Motorsports Hall of Fame.
Talladega, Estados Unidos
2015
Walk of Fame do Esporte Italiano
Ascari é incluído na Walk of Fame do esporte italiano.
Roma, Itália
2017
Hall da Fama da FIA
Ascari é incluído no Hall da Fama da FIA.
Galeria
Em imagens

Entry #1 at Monza for the Italian GP at Monza on 19 October 1924 was an Alfa Romeo P2 driven by WINNER Antonio Ascari, standing left of his son Alberto Ascari (born 1918). Mechanic Giulio Ramponi is to the right of the boy
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